
Nos últimos dez anos, o BBB [1] consolidou-se como o maior fenômeno de audiência e engajamento da televisão nacional. Mais do que um jogo de convivência, o reality show tornou-se um espelho da sociedade, revelando personalidades que saíram do anonimato para o estrelato absoluto. De fenômenos digitais a trajetórias de superação, os vencedores da última década mostram que não existe uma fórmula única para conquistar o prêmio milionário.
A força feminina e as amizades icônicas no BBB
A trajetória das mulheres no BBB [2]entregou momentos inesquecíveis de lealdade e estratégia. No BBB16, Munik Nunes conquistou o público aos 19 anos (hoje com 28), vencendo com 61,59% dos votos. Sua passagem ficou marcada pela amizade improvável com Dona Geralda e pelo apoio à protagonista Ana Paula Renault.
Logo no ano seguinte, no BBB17, a gaúcha Emilly Araújo sagrou-se campeã com 58%. Sua participação foi intensa, marcada por um paredão falso e um relacionamento conturbado que gerou debates sociais em todo o país. Já em 2018, o programa coroou Gleici Damasceno. A acreana, que foi a primeira de sua família a cursar o ensino superior, protagonizou um dos retornos mais icônicos de um paredão falso, utilizando a célebre frase: "Vocês não sabem o prazer que é estar de volta".
Polêmicas e a era dos 'Camarotes'
O jogo mudou de patamar em 2019 e 2020. Paula Von Sperling venceu o BBB19 com 61,09%, em uma edição onde sua força de jogo superou críticas severas sobre intolerância religiosa e racismo fora da casa.
Em 2020, a estrutura do programa mudou com a chegada dos famosos. Mesmo contra grandes nomes do "Camarote", a médica Thelminha venceu com 44,10% dos votos, destacando-se por sua postura ética e alianças sólidas. No ano seguinte, o BBB21 presenciou o "efeito Juliette Freire". A advogada paraibana tornou-se um fenômeno sem precedentes, vencendo com 90,15% dos votos, a maior aprovação em finais triplas da história recente.
Estratégias e recordes: De Arthur Aguiar a Davi Brito
A ala masculina também garantiu vitórias estratégicas no BBB. Em 2022, Arthur Aguiar quebrou o jejum dos famosos ao vencer com 68,96%, utilizando uma narrativa de redenção que mobilizou uma "padaria" de fãs fervorosos.
Já nas edições mais recentes, o perfil de "gente como a gente" voltou a dominar:
Amanda Meirelles (BBB23): Venceu com 68,9% dos votos, celebrada por sua autenticidade e por representar a "mulher real" nas telas.
Davi Brito (BBB24): O baiano fez história como o homem mais jovem a vencer o reality, aos 21 anos, com 60,52%. Sua jornada de resiliência contra a exclusão na casa o tornou o favorito absoluto do público.
Ao analisar o histórico do BBB, percebe-se que o público brasileiro valoriza a verdade do participante acima da estratégia fria. Cada campeão, com suas falhas e virtudes, escreveu um capítulo essencial na cultura pop do Brasil.
[1] https://abcdoabc.com.br/bbb-estrategia-imersiva-a-sao-caetano/
[2] https://gshow.globo.com/realities/bbb/