Volvo projeta queda nas vendas mas aposta em retomada e descarbonização

Volvo projeta queda nas vendas mas aposta em retomada e descarbonização
Volvo projeta queda nas vendas mas aposta em retomada e descarbonização Depois das boas vendas em 2024, quando totalizou 23.185 caminhões emplacados no Brasil, o ritmo das vendas da Volvo Caminhões [1]do primeiro semestre deste ano teve uma desaceleração, com 9.726 unidades vendidas. “Nossas projeções para 2025 são de queda de até 10% no mercado de caminhões acima de 16 toneladas”, explica o curitibano Alcides Cavalcanti, diretor-executivo da Volvo Caminhões. [2]Cavalcanti é responsável por toda a operação de caminhões novos, seminovos, peças, serviços, qualidade e suporte técnico da operação de caminhões da marca sueca, além do desenvolvimento de concessionárias e marketing para o Brasil e alguns mercados estratégicos da América Latina. Formado em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal do Paraná, com especialização em gestão de negócios pela Fundação Getúlio Vargas e MBA pelo Ibmec (atual Insper), o executivo começou sua carreira na empresa como estagiário em 1986. Passou por áreas como desenvolvimento de produto, engenharia de vendas e comercial, e acumulou também experiência em outras marcas, como Volkswagen e Iveco. Apesar do primeiro semestre fraco, Cavalcanti não descarta uma evolução a partir do último trimestre do ano. “A sinalização pelo fim do ciclo de alta dos juros pode trazer algum alento”, pondera o executivo. Alcides Cavalcanti, diretor executivo da Volvo Caminhões (Divulgação) Pergunta – Em fevereiro, na apresentação de suas perspectivas para 2025, a Volvo fez algumas previsões pouco otimistas sobre as vendas de caminhões no mercado brasileiro este ano. No acumulado de janeiro a junho, foram 53.420 caminhões emplacados no Brasil, queda de 3,62 % sobre os 55.425 veículos vendidos no mesmo período de 2024. Houve alguma variação nas expectativas da marca? Alcides Cavalcanti – O mercado está se comportando como havíamos previsto. De janeiro a junho, o segmento de pesados teve queda de 14,3% nos emplacamentos, comparando com o ano anterior. Essa retração é resultado do ambiente econômico com altas taxas de juros, o que vem freando as cotações e vendas de caminhões, principalmente os pesados. Nossas projeções para 2025 são de queda de até 10% no mercado de caminhões acima de 16 toneladas, segmento em que atuamos. Mas a sinalização pelo fim do ciclo de alta dos juros pode trazer algum alento, especialmente nos meses finais do ano. Pergunta – E como foi o desempenho de vendas da Volvo? Quais modelos se destacaram? Cavalcanti – Mesmo em um cenário de retração de mercado, até maio, a Volvo teve queda de apenas 1,2% nos emplacamentos. Isso foi influenciado principalmente por nossas boas entregas em semipesados, um segmento que está com volumes mais altos em 2025. Nosso modelo VM 290 segue como o semipesado mais vendido do Brasil, com 2.141 licenciamentos até junho. Nos pesados, mesmo com volumes mais baixos, o FH 540 continua líder absoluto em seu segmento, com 2.656 unidades emplacadas no acumulado do ano. Caminhão Volvo FH 540 (Divulgação) Pergunta – Em contraste com a retração do mercado interno no acumulado do semestre, as exportações brasileiras de caminhões somaram 13,4 mil unidades nos seis primeiros meses do ano, avanço de mais de 90% em relação às 7 mil unidades exportadas no mesmo período do ano anterior. Como andam as exportações da Volvo? Cavalcanti – Nos demais mercados da América Latina, tivemos crescimento de 4% nas exportações de caminhões no primeiro semestre, comparando com o mesmo período do ano passado. Mas é importante dizer que o Brasil é o principal mercado da Volvo no continente, com 84% dos volumes. As exportações de caminhões para o México se iniciaram em fevereiro. Por enquanto, nossas expectativas são modestas, mas o mercado mexicano terá relevância maior na medida em que modelos de cabine avançada crescerem na preferência dos transportadores por lá. Caminhão Volvo VM 290 (Divulgação) Pergunta – Em termos de redução das emissões, quais são os planos da Volvo para o Brasil? Cavalcanti – A Volvo tem compromisso global de zerar as emissões de CO2 em seus veículos até 2040. Já oferecemos caminhões pesados FM Electric aqui desde o ano passado, por meio de locação. Mas os elétricos pesados ainda têm volume restrito em nosso mercado. No Brasil, o caminho mais rápido para a descarbonização é avançar com motores de combustão interna de alta eficiência, utilizando combustíveis cada vez mais limpos. Temos a opção do FH B100 Flex, que pode rodar com até 100% de biodiesel (B100). A tecnologia da Volvo é a única a oferecer flexibilidade de optar por diferentes proporções desse biocombustível, indo do B14 (diesel S10 com 14% de biodiesel, disponível nos postos do Brasil) até o B100 (biodiesel puro). Com redução de emissões de CO2 de até 90%, esse é um veículo destinado a empresas que produzem seu próprio biodiesel, contribuindo para a descarbonização dos transportes no país de forma imediata. Fábrica da Volvo em Curitiba (PR) (Divulgação) Pergunta – E quanto aos caminhões movidos a gás? É um segmento em que marcas concorrentes estão investindo bastante no Brasil. Cavalcanti – Sobre caminhões a gás, a tecnologia global da Volvo usa o GNL (gás natural liquefeito), que traz vantagens técnicas sobre o GNV (gás natural comprimido). Ainda não vemos progresso relevante na infraestrutura de distribuição de GNL no país, mas seguimos monitorando esse mercado. [1] https://www.volvotrucks.com.br/pt-br/ [2] https://abcdoabc.com.br/volvo-geely-caio-e-volare-aceleram-inovacoes-no-brasil/