Universidade sem impacto social forma profissionais pela metade

20/03/2026 - 12:10  
Universidade sem impacto social forma profissionais pela metade
Universidade sem impacto social forma profissionais pela metade Existe um ponto cego dentro do ensino superior brasileiro que precisa ser encarado com mais honestidade: a distância entre o discurso institucional e o impacto social [1]. Universidades falam, com frequência, sobre formar cidadãos críticos, conscientes e preparados para transformar a sociedade. Mas, na realidade, a responsabilidade social ainda ocupa um espaço periférico dentro da jornada acadêmica — muitas vezes tratada como iniciativa complementar, quando deveria ser parte central da formação. Os dados ajudam a tirar esse debate do campo da opinião. Levantamentos do Fórum Nacional de Extensão Universitária (FORPROEX) mostram que, apesar do crescimento das ações de extensão, a participação ativa dos universitários ainda é limitada. Em diversas instituições, menos de 30% dos alunos se envolvem diretamente em projetos sociais ao longo da graduação. Isso revela um cenário incômodo: uma parcela significativa atravessa a universidade sem estabelecer qualquer conexão prática com a realidade social que a cerca. E isso não é irrelevante. Formar profissionais sem repertório humano, sem senso coletivo e sem vivência de impacto social é, no limite, formar pela metade. Distância entre discurso acadêmico e prática social (Imagem/Freepik) Diante dessa lacuna, um movimento começa a ganhar força de dentro para fora. Atléticas e Centros Acadêmicos, tradicionalmente associados à vida estudantil e à integração entre alunos, vêm assumindo um papel que ultrapassa a representatividade e entra no campo da mobilização social estruturada. Com comunicação direta, senso de pertencimento e capacidade de engajamento real, essas entidades têm demonstrado algo simples e poderoso: quando o universitário se organiza, o impacto acontece. Mobilização estudantil e impacto social no ABC Paulista No ABC Paulista, essa mobilização em prol do impacto social já é concreta. Universidades como Mauá, FEI e UFABC vêm se articulando, por meio de suas lideranças estudantis, em parceria com a Associação Adote um Cidadão, para impulsionar duas frentes de atuação que traduzem bem esse novo posicionamento. A primeira delas é a Páscoa Eficiente, campanha voltada à arrecadação de caixas de bombom para crianças em situação de vulnerabilidade social. Uma ação direta, tangível, que transforma pequenos gestos em experiências reais de acolhimento e alegria. A segunda é o Gotas Eficientes, que mobiliza universitários em torno da doação de sangue, reforçando uma mensagem de impacto social que carrega força e responsabilidade: universitários se unindo para salvar vidas. Mais do que campanhas, essas iniciativas representam uma mudança de postura. A participação deixa de ser eventual e passa a refletir um compromisso contínuo com o outro. Como destaca Brisa Paschoal, Diretora Social da CAAP (UFABC): “O engajamento dos estudantes em ações sociais reforça o papel da universidade como agente de transformação na sociedade, aproximando o conhecimento das salas de aula da realidade e contribuindo diretamente com quem mais precisa. A parceria das atléticas com o Adote um Cidadão mostra como a mobilização dos alunos ganha força quando é coletiva, gerando resultados concretos na comunidade”, diz. Na mesma linha, Gabriel Sampei, Presidente da Atlética da FEI, traz uma reflexão que desloca o debate do incentivo para a responsabilidade individual: “Como doador regular, entendo que o nosso papel vai além de incentivar; trata-se de dar o exemplo. Acredito que a doação de sangue deveria ser uma prática comum a todos, pois é um gesto simples que tem o poder de ajudar o próximo de forma constante e vital”, pontua. A fala é direta — e justamente por isso, difícil de ignorar. Porque desmonta a ideia de que impacto social exige grandes estruturas. Em muitos casos, o que falta não é recurso, é decisão. O próprio slogan do Gotas Eficientes sintetiza essa lógica com precisão: “Doe o amor que corre em suas veias.” Não há complexidade nisso. Há escolha. Da mobilização à transformação estrutural (Divulgação/Adote um Cidadão) O que se observa agora no ABC não deveria ser exceção, mas referência. A mobilização já começou, as lideranças estudantis já entenderam seu papel e as primeiras universidades já deram o passo. Falta ampliar. Se a universidade é, por definição, um espaço de formação, ela precisa ser também um espaço de prática. E isso não depende exclusivamente das instituições — depende, sobretudo, de quem vive o ambiente acadêmico todos os dias. Mobilização aberta Mais universidades podem — e devem — fazer parte desse movimento. [2] Levar o Gotas Eficientes para dentro do campus, engajar atléticas, Centros Acadêmicos e grupos de alunos não é apenas apoiar uma campanha. É assumir, na prática, o papel social que o ensino superior afirma ter. Porque, no fim, a diferença entre discurso e transformação continua sendo uma só: ação. Adote um Cidadão https://www.youtube.com/watch?v=_cMKumZzFtI Há 27 anos, o Adote um Cidadão atua na inclusão de pessoas com deficiência e cidadãos em situação de vulnerabilidade social. Sem receber recursos públicos ou incentivos fiscais, a organização desenvolve ações socioeducativas, esportivas e culturais em diferentes regiões do Brasil, promovendo dignidade, pertencimento e oportunidades reais. Abrace essa causa. Associe sua marca ao impacto que transforma.Instagram: @adoteumcidadao [3]Site: www.adoteumcidadao.com.br [4] [1] https://abcdoabc.com.br/responsabilidade-social-o-que-eu-tenho-a-ver/ [2] https://abcdoabc.com.br/quando-a-universidade-sai-do-campus/ [3] https://www.instagram.com/adoteumcidadao [4] http://www.adoteumcidadao.com.br/