
Na manhã de hoje (04), trabalhadores realizaram uma manifestação em frente à fábrica Inylbra [1]. O ato teve como principal reivindicação a redução da jornada semanal de trabalho, melhores condições estruturais e mais segurança no ambiente laboral. A manifestação na Inylbra ocorreu de forma pacífica e reuniu operários da produção, que denunciaram uma série de irregularidades dentro da unidade industrial.
Manifestação na Inylbra integra jornada nacional contra a escala 6x1
(Divulgação)
A manifestação na Inylbra faz parte de uma mobilização nacional com atos e paralisações em diferentes estados. Ao todo, foram cerca de 20 manifestações em frente a fábricas, supermercados e outros postos que adotam a escala 6x1 [2].
Em alguns locais, os protestos evoluíram para greve. É o caso da Metalúrgica Kabi, no Rio de Janeiro, do Supermercado Supernosso, em Minas Gerais, e do Mix Mateus, em Pernambuco. A mobilização unificada tem como foco central o fim da escala 6x1 e a defesa de jornadas mais equilibradas.
De acordo com estimativas, cerca de 30 milhões de brasileiros trabalham sob o regime 6x1, o que representa aproximadamente 30% dos trabalhadores formais do país, com jornada semanal de 44 horas.
Trabalhadores denunciam calor extremo, falta de água e problemas estruturais
(Divulgação/Artur Luz)
Os trabalhadores da Inylbra são responsáveis pela fabricação de tapetes e revestimentos agulhados destinados ao setor automotivo. Apesar de a empresa ser considerada uma das mais relevantes do segmento, operários relatam condições consideradas insalubres.
Uma trabalhadora da produção denunciou que, somente na última semana, três funcionários desmaiaram durante o expediente devido ao calor excessivo. Segundo ela, há ventilação insuficiente no ambiente fabril.
“Somente na semana passada, três trabalhadores desmaiaram durante o trabalho, estava muito quente, não tem ventiladores suficientes, quase não dá para respirar de tanto calor”, afirmou.
(Divulgação/Eloisa Bonifácio)
A operária também relatou restrições para pausas e consumo de água. “Mesmo assim, eles não nos deixam nem parar para tomar uma água fresca e quando vamos ao banheiro, muitos estão com a torneira sem funcionar, têm privada quebrada e falta tranca nas portas, um verdadeiro descaso com nós trabalhadores”, declarou.
A falta de água potável e refrigerada próxima aos postos de trabalho foi uma das principais denúncias apresentadas durante a manifestação na Inylbra. Segundo os organizadores, a situação representa violação de direitos básicos relacionados à saúde e segurança no trabalho.
Reajuste salarial e redução da jornada estão no centro das reivindicações
(Divulgação/Eloisa Bonifacio)
Além das condições estruturais, os manifestantes também reivindicam reajuste salarial e redução da jornada de trabalho. A manifestação na Inylbra reforçou o debate nacional sobre o impacto da escala 6x1 na qualidade de vida dos trabalhadores.
Dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) indicam que trabalhadores brasileiros estão entre os que recebem os piores salários em comparação internacional. Atualmente, o salário mínimo corresponde a 22,82% do valor considerado necessário para cobrir as necessidades básicas de uma família de quatro pessoas.
Estudo divulgado em 2025 pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) aponta que, para garantir despesas com alimentação, moradia, transporte, saúde e educação, o salário mínimo ideal deveria ser de R$ 7.106,83.
Diante desse cenário, a manifestação na Inylbra simboliza não apenas uma reivindicação local, mas um movimento inserido em um contexto mais amplo de questionamento da escala 6x1 e das condições de trabalho em diversos setores da economia brasileira.
[1] https://www.inylbra.com.br/
[2] https://abcdoabc.com.br/fim-da-escala-6x1-sudeste-apoia-pec/