
A crise entre Colômbia e Equador ganhou um novo capítulo neste domingo (19), após o presidente Gustavo Petro anunciar que irá processar o presidente Daniel Noboa [1] por calúnia. A decisão ocorre após Noboa acusar Petro [2], sem apresentar evidências, de manter vínculos com um líder do crime organizado.
A troca de acusações aprofunda um cenário já marcado por tensões diplomáticas e disputas comerciais entre os dois países, que se intensificaram desde o início do ano.
Acusações envolvendo facção criminosa aumentam tensão
A controvérsia começou após Noboa declarar, em entrevista à revista colombiana Semana, que Petro teria se reunido com integrantes da organização política Revolução Cidadã, alguns dos quais, segundo ele, teriam ligação com o criminoso conhecido como “Fito”.
“Fito”, cujo nome é Adolfo Macías, foi líder da organização criminosa Los Choneros, uma das maiores do Equador, e responde a acusações relacionadas ao tráfico de drogas e armas. Ele foi extraditado aos Estados Unidos no ano passado.
Petro reagiu publicamente, negando qualquer vínculo com o criminoso e classificando as declarações como caluniosas. Em suas redes sociais, o presidente colombiano afirmou que tomará medidas judiciais contra Noboa.
Troca de declarações e acusações políticas
Além de rejeitar as acusações, Petro também afirmou que setores da oposição colombiana estariam atuando para prejudicar sua imagem internacional. Ele mencionou o ex-presidente Álvaro Uribe, sugerindo, sem apresentar provas, a existência de articulações externas contra seu governo.
Por outro lado, o governo equatoriano não se pronunciou oficialmente até o momento sobre a decisão de Petro de recorrer à Justiça. A ausência de resposta mantém o clima de incerteza sobre os próximos desdobramentos da crise.
Disputa comercial agrava relação bilateral
O embate político ocorre em meio a uma crescente disputa comercial entre os países. Desde janeiro, o Equador adotou medidas unilaterais, como a imposição de tarifas sobre produtos colombianos, justificando falhas no controle da fronteira comum.
Em resposta, a Colômbia implementou restrições comerciais, incluindo a suspensão da venda de energia ao país vizinho. O Equador, por sua vez, elevou progressivamente as tarifas de importação, que devem atingir 100% a partir de maio.
Esse cenário tem impactado diretamente o comércio bilateral e ampliado o desgaste entre os governos.
Caso Jorge Glas amplia desgaste diplomático
Outro ponto de atrito envolve o ex-vice-presidente equatoriano Jorge Glas, condenado por corrupção. Petro classificou Glas como “preso político” e concedeu a ele nacionalidade colombiana, decisão que foi duramente criticada por Noboa.
O presidente equatoriano considerou a atitude uma interferência na soberania do país e convocou seu embaixador em Bogotá para consultas. Em resposta, a Colômbia adotou medida semelhante, sinalizando o agravamento das relações diplomáticas.
Com acusações mútuas, medidas econômicas e tensões políticas, o impasse entre Colômbia e Equador segue sem solução imediata, indicando um cenário de instabilidade na relação entre os dois países sul-americanos.
[1] https://pt.wikipedia.org/wiki/Daniel_Noboa
[2] https://abcdoabc.com.br/ex-chanceler-da-colombia-acusa-gustavo-petro-e-expoe-crise-no-governo/