
O Governo do Estado de São Paulo [1], por meio de uma ação conjunta entre a Arsesp, Sabesp e a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), alcançou um marco histórico na preservação de recursos hídricos. Entre agosto e dezembro de 2025, a gestão estratégica da demanda noturna de água [2]resultou na economia de 57 bilhões de litros. Para dimensão do impacto, esse volume seria capaz de abastecer cerca de 10 milhões de cidadãos por 30 dias consecutivos.
A medida consiste na redução inteligente da pressão nas redes de distribuição durante a noite, período em que o consumo cai drasticamente e o risco de perdas por vazamentos invisíveis aumenta. Atualmente, a Região Metropolitana encontra-se na Faixa 3 do novo modelo de gestão hídrica, o que implica uma redução de pressão por 10 horas diárias (das 19h às 05h).
O impacto real da economia no Sistema Integrado Metropolitano
A quantidade de água que deixou de ser retirada das represas é equivalente à capacidade total somada dos sistemas São Lourenço, Cotia e Rio Claro. No cotidiano da população, essa preservação representa evitar o desperdício diário de 1,2 milhão de caixas d'água de 500 litros.
"O uso consciente de água deve fazer parte da rotina das famílias, especialmente diante da escassez severa que enfrentamos", alerta Natália Resende, secretária da Semil. Segundo a Sabesp, residências que possuem reservatórios internos (caixas d'água) adequados aos padrões técnicos tendem a não sentir os efeitos da redução de pressão no período noturno.
Tecnologia e investimento: Redução de 13% nas perdas
Além da gestão da pressão, a Sabesp intensificou o combate ao desperdício físico. Com um aporte financeiro 60% maior em 2025, a companhia implementou novas tecnologias de detecção sonora e digital de vazamentos. Os resultados são expressivos:
Reparos: Média de 33 mil vazamentos corrigidos por mês.
Eficiência: Redução de 27% na incidência de vazamentos visíveis.
Índice de Perdas: Queda de 352 para 287 litros por ligação/dia (redução de 13% em 11 meses).
Entenda as 7 faixas do Novo Modelo de Gestão Hídrica
Em 2025, o Estado adotou uma metodologia inédita que estabelece gatilhos claros para a gestão da água. O objetivo é evitar medidas drásticas, como o rodízio, por meio de ações graduais.
FaixaCenárioMedida Principal1 e 2PrevençãoGestão noturna de 8 horas e regime diferenciado.3 (Atual)AtençãoGestão de demanda de 10 horas e campanhas intensas.4, 5 e 6ContingênciaRedução de pressão por até 16 horas diárias.7CríticoRodízio de abastecimento e suporte por caminhões-pipa.
Para garantir a estabilidade, as restrições só são alteradas após sete dias de permanência em uma faixa, enquanto o relaxamento das medidas exige 14 dias de melhora constante nos níveis dos reservatórios.
Alerta: Onda de calor eleva consumo em 60%
O aumento recente de 7°C na temperatura média do estado provocou um salto perigoso no consumo de água. Diante disso, o governo emitiu um alerta para que a população priorize o uso para alimentação e higiene pessoal. Pequenas mudanças de hábito podem gerar grandes resultados: um banho reduzido de 15 para 5 minutos economiza até 9 mil litros por mês em uma residência média.
A recomendação atual é clara: utilize vassouras em vez de mangueiras para limpar calçadas e acumule o máximo de roupas antes de utilizar a máquina de lavar. A preservação da água hoje é a garantia do abastecimento seguro para o verão de 2026.
[1] https://www.sp.gov.br/sp
[2] https://abcdoabc.com.br/alerta-mananciais-sp-uso-consciente-da-agua/