Selic: a taxa de juros que norteia a economia brasileira

Selic: a taxa de juros que norteia a economia brasileira
Selic: a taxa de juros que norteia a economia brasileira Sabe aquelas palavras que estão presentes no nosso cotidiano e que, muitas vezes, parecem jogo de charada ou sopa de letrinhas, mas que, no inconsciente, sabemos que haverá algum impacto em nossas vidas? Na imagem principal você verifica o gráfico [1]apresentado pelo Banco Central do Brasil com a evolução ou involução da Selic desde julho de 2015 até julho de 2025, ou pode acessar o link na palavra 'gráfico' na linha acima e conferir os dados no site da instituição. IGPM [2], IPCA [3], INPC [4], todas as siglas relacionadas à economia, e tem muitas outras, inclusive, a Selic [5], taxa básica de juros, que norteia os caminhos que devem ser seguidos pelas instituições financeiras sobre os juros a serem cobrados, seja para empréstimos, financiamentos, e até para o aumento nos preços de alimentos, roupas e tudo que faz movimentar a economia brasileira. E para te ajudar a entender melhor o que é, qual o impacto, como funciona e como se precaver para não deixar que seu `suado dinheirinho` perca poder de compra, o ABCdoABC [6]conversou com especialistas da economia para estrear o Descomplicando a Notícia. Fala, professor! O professor Volney Gouveia, gestor do curso de graduação de Ciências Econômicas da USCS [7](Universidade Municipal de São Caetano do Sul) e gestor adjunto da Escola de Negócios da Universidade, resumiu o que é a taxa Selic. “A Selic [8]é uma taxa de juros de referência na economia toda. Então, por exemplo, se nós vamos pegar um empréstimo, o banco vai cobrar um juros da gente, e se o Banco Central [9] aumentar os juros, significa que o banco vai cobrar um juros maior da gente. Se o Banco Central diminuir os juros, significa que os bancos vão cobrar um juros menor para a gente. Então, resumidamente, é isso”, compactou o professor o termo de forma simples. Mas, se por um lado os juros cobrados são altos, em outro viés, pode se tornar uma opção de investimento, aproveitando a alta de juros para ganhar. Assim sendo, a Selic mede o custo do crédito na economia, ou seja, ao anunciar o aumento da Selic, o BC (Banco Central) dá o recado de que o dinheiro vai ficar mais caro e, neste momento, se o consumidor tiver uma reserva, ele pode aplicar esse dinheiro e ganhar esses mesmos juros, mais altos, que serão pagos pelo governo, pelo BC. Agora, se você tem um empréstimo ou pretende tomar dinheiro, este não é o momento. “Se você está na posição de devedor, um aumento da taxa Selic é ruim, porque o crédito vai ficar mais caro, já que os bancos estarão cobrando um juros maior, porque o BC aumentou o juros. Agora, se você é um investidor, um trabalhador que consegue guardar 10%, 20% da sua renda mensal, se beneficia, porque pode depositar no banco, que vai te pagar um juros maior, que é o juros que o Banco Central definiu”, explicou Volney. Olhar do vice-presidente da ALOBRÁS [10] Lauro Pimenta [11] é empresário e vice-presidente da ALOBRÁS (Associação dos Lojistas do Brás), conversou com o ABCdoABC, e sugere que a alta de juros não tem um aspecto exclusivamente econômico. “A gente fica um pouco até na dúvida se esses números são econômicos ou políticos. Porque quando a gente fala de uma Selic de 15%, e abate uma inflação de 5%, 5,5%, estamos falando de um juros real de 9,5% a 10%. Então é uma conta simples: tem 15% de Selic e uma inflação de 5,5%, a gente tem juros real, que é 15% menos o 5,5%, que dá 9,5% a 10%. Então, atrapalha a pessoa a empreender”, lamenta Lauro. Segundo Pimenta, este cenário favorece um olhar de país especulador e não de um ambiente produtivo e que garanta geração de emprego e renda. “A gente está dando um sinal de que o Brasil é um país de especuladores e se você colocar o seu dinheiro para especular, vai ter muito mais ganho do que se empreender”, reclama o empresário. De acordo com o vice-presidente da associação, esse reflexo também chega aos possíveis investimentos, já que há aumento das taxas das maquininhas de cartão, e isso significa que, tanto o comerciante, que vende, quanto o consumidor, que parcela, ambos pagam mais juros, e essa elevação vai refletir no preço da mercadoria, e no mesmo sentido, impedindo que o comerciante invista, já que terá que pagar mais pelo empréstimo adquirido, freando o crescimento econômico. De acordo com o professor Volney Gouveia, a taxa cobrada pelos bancos não são necessariamente a mesma que o BC coloca na Selic, pois é só um parâmetro de 15% ao ano, mas as instituições financeiras cobram valores de 50%, 60%, 70% ao ano, como entenderem pertinente. E Lauro Pimenta voltou a cravar que a taxa alta é um reflexo da política e não da economia. “Eu não sei se é um problema de ordem financeira ou político. E muito rapidamente, a gente está começando a entender que esses juros é político, para desestabilizar o país, para promover desordem social, para promover troca de poder”, sugere ele. Conselhos do Procon A diretora de assuntos jurídicos do ProconSP [12](Programa de Proteção e Defesa do Consumidor) de São Paulo, Patrícia Alvares Dias, avaliou que a recomendação do órgão aos consumidores é sempre cautela. “A Fundação Procon sempre tem como orientação para o consumidor, independente do tipo de serviço que vá contratar ou produto que vá adquirir, é necessário que faça pesquisa. Ele tem que pesquisar entre os parceiros que vendem aquele produto ou oferecem aquele serviço, justamente para avaliar o melhor valor no mercado”, orienta Patricia. A diretora indica ainda que o cuidado deve seguir o mesmo rumo quando se trata de parcelamentos, pagamentos a longo prazo, verificando assim eventuais juros e outras taxas que são embutidas e explicou o porquê. “No primeiro momento, ele tem que ficar atento que aquela prestação pode até caber dentro do orçamento doméstico, só que tem que avaliar qual o impacto que aquele valor pode causar com as suas contas de consumo, que são rotinas, como água, energia, o custo com alimentação, quem paga colégio, tudo isso”, sugeriu Patricia mais alguns cuidados a serem observados. Outra orientação é sobre o custo com cartões de crédito [13], na qual a diretora afirma ser um problema, caso não seja feito de forma organizada e consciente. “Ele tem que ficar atento à questão do pagamento com cartão de crédito e se vai realmente arcar com aquele valor parcelado a médio ou longo prazo. Porque os juros que representam o fato de um cartão, pode perder o controle e aquilo que, no primeiro momento, estava dentro do orçamento, em razão de fatores esses, acabou pagando a conta com atraso, a fatura em atraso, aqueles juros podem acabar impactando de uma forma negativamente”, aconselha a diretora. Ponto de vista do economista O ABCdoABC ouviu, também, Ian Lopes, economista e assessor da Valor Investimentos [14], escritório de assessoria vinculado à XP, que de forma prática reiterou o papel da Selic na vida econômica dos brasileiros. “O primeiro é que quando a Selic sobe, ela serve de base para todo tipo de empréstimo e de crédito que a gente tem na economia, ela é a taxa básica de juros. Então, desde uma aplicação financeira vinculada à Selic até uma correção, quando a Selic ou CDI serve de indexador para qualquer tipo de compra ou crédito que você vai fazer, isso vai corrigir e vai subir”, explicou Ian. Assim, se o consumidor contrair uma dívida no cartão de crédito, a Selic será a base, e o aumento será instantâneo a partir do momento que a Selic apresentar alta. E no caso da inadimplência, quando o consumidor for pagar a dívida, os juros vão incidir em cima do valor que não foi pago, o que aumentará substancialmente o débito. O especialista recomenda fazer contas antes de assumir qualquer compromisso financeiro a médio e longo prazo, seja para empresários ou para pessoa física. “O meu capital que está guardado, rentabilizando, seja na minha empresa, seja nas minhas aplicações financeiras, vai ser necessário para suprir a minha capacidade de dívida que vou ter com o meu financiamento? Se for, pode ser interessante”, recomenda Ian. Porém, caso não tenha capacidade de capital produtiva grande para pagar a dívida, pode ser perigoso pegar um financiamento, já que o patamar de juros está muito alto, comprovado pela Selic, que é a maior dos últimos 20 anos, conforme comentou o economista. Para finalizar, Ian Lopes falou sobre os impactos no consumo das famílias, já que a alta na taxa básica de juros impacta também os alimentos. “Essa taxa Selic vem para conseguir controlar a inflação, instrumento que o Banco Central faz para tirar dinheiro do mercado, da economia e controlar a inflação. A gente está passando por um período que, principalmente, a cesta básica de consumo está um pouco mais cara, por conta da inflação mais alta, mas a gente consegue ver e espera que essa Selic consiga conter essa alta daqui para frente”, mantém otimista o especialista. [1] https://www.bcb.gov.br/controleinflacao/taxaselic [2] https://portal.fgv.br/noticias/igp-m-2025 [3] https://www.ibge.gov.br/estatisticas/economicas/precos-e-custos/9256-indice-nacional-de-precos-ao-consumidor-amplo.html [4] https://www.ibge.gov.br/estatisticas/economicas/precos-e-custos/9258-indice-nacional-de-precos-ao-consumidor.html [5] https://www.bcb.gov.br/controleinflacao/taxaselic [6] https://abcdoabc.com.br/ [7] https://uscs.edu.br/ [8] https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/orientacao-tributaria/pagamentos-e-parcelamentos/taxa-de-juros-selic [9] https://www.bcb.gov.br/ [10] https://alobras.com.br/ [11] https://www.instagram.com/p/DBg_lj_R7Aw/?utm_source=ig_web_copy_link [12] https://www.procon.sp.gov.br/ [13] https://abcdoabc.com.br/como-sair-das-dividas-do-cartao-de-credito/ [14] https://valorinvestimentos.com.br/