
A criação de um novo festival cultural envolvendo as sete cidades do ABC Paulista, em parceria com o Governo do Estado de São Paulo, começou a ganhar forma após reunião realizada na sede do Consórcio Intermunicipal [1]. A proposta, ainda em fase de construção, prevê um modelo descentralizado, com atividades distribuídas entre os municípios e culminando em um grande evento regional.
A discussão reuniu prefeitos, representantes municipais e a Secretaria Estadual de Cultura, Economia e Indústria Criativas. A ideia central é substituir o modelo de “virada cultural [2]” por um formato mais amplo e duradouro, capaz de integrar diferentes linguagens artísticas e ampliar a circulação de público e artistas entre as cidades.
Proposta prevê festival itinerante nas sete cidades
Segundo o presidente do Consórcio Intermunicipal e prefeito de Ribeirão Pires, Guto Volpi, a decisão inicial já foi tomada e agora o foco está na estruturação do projeto.
“Olha, a gente discutiu isso agora. A Marília veio com uma sugestão fantástica. Também foi uma sugestão já de mesa dos secretários de cultura da região. Que foi transformar, não em virada, mas sim num festival. [...] Então, batemos um martelo. Um festival que vai ser circular. [...] Sete artes, sete cidades”, afirmou.
A proposta inicial prevê que cada município receba parte da programação, formando um circuito cultural regional. O slogan mencionado durante a reunião, “sete artes, sete cidades”, sintetiza a ideia de distribuir diferentes linguagens artísticas entre os municípios.
Ainda de acordo com Volpi, a próxima etapa será acelerar o planejamento técnico. “A galera, a gente já começa a trabalhar nisso agora. [...] Já manda uma reunião já para a semana que vem, para entrar na área prática do projeto o mais rápido possível”, disse.
Modelo busca superar limitações da “virada cultural”
A secretária estadual de Cultura, Marília Marton, destacou que o modelo tradicional de virada cultural não atende plenamente a proposta regional pensada para o ABC.
“Eu falei, Guto, o modelo não me parece muito interessante quando você fala de uma descentralização envolvendo sete cidades. Porque as estruturas são montadas para um dia. E isso impede, por exemplo, que as pessoas de uma cidade vão para outra”, explicou.
Segundo ela, a nova proposta pretende ampliar o tempo de duração e permitir maior integração entre os municípios.
“A ideia foi que cada município dedica um festival [...] e depois encontra todo mundo, aí sim, um grande evento de resultado desse festival”, afirmou.
A secretária também indicou a possibilidade de um formato híbrido, com etapas locais e uma final regional. “Os vencedores desse festival, porque seria uma premiação, vão para um grande festival multilinguístico”, disse.
Programação pode durar até sete meses
Suzana Rezende / ABCdoABC
Um dos pontos centrais em discussão é o tempo de duração do festival. A proposta prevê uma programação estendida, que pode ocorrer ao longo de vários meses.
“A gente pensou numa coisa que a gente criasse um palco para os artistas [...] e fizesse uma programação que durasse mais de um dia, que ela durasse, inclusive, sete meses. Porque pensando, por exemplo, que pudesse ser uma vez por mês uma arte”, explicou Marília Marton.
Nesse modelo, cada cidade poderia sediar atividades relacionadas a uma linguagem artística específica, como música, teatro, dança ou literatura. Ao final, os destaques de cada etapa participariam de um evento regional unificado.
Integração regional é apontada como diferencial
Durante a reunião, a secretária estadual ressaltou a importância de pensar o ABC de forma integrada, considerando o potencial econômico e cultural da região.
“Quando a gente olha de forma regional, a gente vê não só as potências econômicas que cada uma das cidades tem, mas as suas riquezas culturais”, afirmou.
Ela também destacou que o Consórcio Intermunicipal facilita esse tipo de articulação. “Estar aqui no consórcio [...] é fundamental. Porque a gente consegue olhar de forma regional e potencializar isso do olhar do Estado de São Paulo”, disse.
A proposta é considerada inédita no estado. “A gente está aqui inovando. [...] A ideia é o que não falta. O que é legal, não é só ter a ideia, ter o movimento, ter a disposição de fazer acontecer”, declarou.
Cultura e economia caminham juntas
Outro ponto abordado durante a discussão foi o impacto econômico da cultura nos municípios. A secretária destacou que eventos culturais podem gerar renda e movimentar diferentes setores.
“Quando a gente fala de cultura, a gente fala de movimento. A gente fala de um empreendedorismo que é muito forte e está comprovado que a cultura impacta economicamente”, afirmou.
Ela também ressaltou que o modelo pode ajudar a revelar novos talentos. “A gente está falando realmente de protagonizar uma transformação no jeito de buscar e dar oportunidade para essas pessoas que querem trabalhar na cultura”, disse.
A proposta inclui a criação de palcos e estruturas que permitam a participação de artistas locais, com apoio do Estado na fase final do projeto.
Festival pode entrar no calendário oficial do Estado
A intenção, segundo a secretária, é incluir o festival no calendário oficial do Estado de São Paulo, ampliando sua visibilidade e garantindo continuidade.
“A ideia é que ele entre para o calendário do Estado de São Paulo”, afirmou.
O projeto também pode servir de modelo para outras regiões. “A gente tem um compromisso de criar realmente um modelo que possa depois ser aplicado de forma regional”, disse.
A secretária destacou ainda a importância da participação dos municípios na identificação de talentos. “Sem os municípios, isso não funciona. [...] eles vão ter aí uma forma de facilitar, dar palco para esses novos talentos”, afirmou.
Municípios vão definir vocações e estrutura
A próxima etapa do projeto envolve a definição das características de cada cidade dentro do festival. A proposta é considerar vocações culturais, infraestrutura disponível e capacidade de investimento.
“É a gente desenhar como que cada município pode estar, porque também a gente tem as diferenças entre os municípios. [...] Tem cidade que tem mais vocação para a dança, uma cidade que tem mais vocação para a literatura”, explicou a secretária.
Ela também ressaltou a necessidade de adequação estrutural. “Se eu vou receber um festival das sete cidades que é de teatro, eu preciso ter teatro, né? Senão não faz um pouco de sentido”, afirmou.
O Estado deverá complementar os investimentos, principalmente na etapa final, que reunirá os destaques das programações locais.
Turismo e cultura como alternativa de desenvolvimento
Prefeito de Rio Grande da Serra, Akira Auriani destacou o papel do festival como estratégia de desenvolvimento econômico, especialmente para cidades com menor arrecadação.
“Como a gente sempre tem enfatizado, o Rio Grande tem procurado alternativas de renda e o turismo, ela entra exatamente junto com a cultura nesse processo”, afirmou.
Ele também ressaltou o impacto social da iniciativa. “Primeiro porque ele ajuda a cuidar de quem vive na cidade. É uma alternativa de lazer, ocupação para as famílias”, disse.
Além disso, o prefeito destacou o potencial de geração de empregos. “O segundo passo é o quanto ele traz de renda, oportunidades de emprego, fortalece a cidade”, declarou.
A integração entre cultura e turismo foi apontada como um dos pilares do projeto, com potencial de fortalecer a economia local e valorizar características específicas de cada município.
[1] https://www.consorcioabc.sp.gov.br
[2] https://abcdoabc.com.br/virada-cultural-recebe-propostas-artisticas