Prefeitura de São Paulo inicia reintegração do Teatro de Contêiner

Prefeitura de São Paulo inicia reintegração do Teatro de Contêiner
Prefeitura de São Paulo inicia reintegração do Teatro de Contêiner A Prefeitura de São Paulo deu início, na manhã desta quinta-feira (15), ao processo de reintegração de posse do espaço onde funcionava o Teatro de Contêiner, [1] na região da Luz, no Centro da capital. A ação foi conduzida pela administração do prefeito Ricardo Nunes (MDB) e atende a uma determinação judicial que já havia ordenado o despejo da Companhia Mungunzá [2], responsável pela gestão do equipamento cultural. O espaço público vinha sendo ocupado pela companhia desde 2016 e foi inaugurado oficialmente como Teatro de Contêiner no início de 2017. Em maio do ano passado, a Prefeitura notificou formalmente os integrantes do grupo solicitando a desocupação da área, alegando necessidade de retomada do terreno para novos projetos urbanísticos. Área será destinada a habitação e lazer Segundo a gestão municipal, o terreno onde funcionava o Teatro de Contêiner será incorporado a um plano mais amplo de requalificação da região central. A proposta prevê a construção de unidades habitacionais e a implantação de espaços de lazer, com o objetivo de estimular a ocupação residencial e melhorar a infraestrutura urbana da Luz. A Prefeitura informou que a operação de desocupação ocorreu sem confrontos ou incidentes e que todas as etapas seguiram os protocolos legais estabelecidos pela decisão judicial. Companhia afirma ter sido surpreendida (Paulo Pinto/Agência Brasil) Apesar do tom administrativo adotado pela Prefeitura, integrantes da Companhia Mungunzá afirmam que a ação ocorreu de forma abrupta. O artista Marcos Felipe, membro do grupo, relatou que o Teatro de Contêiner foi lacrado com todos os equipamentos, cenários e materiais ainda no interior do espaço, sem que houvesse tempo para retirada organizada dos bens. Segundo ele, a companhia deixou o local sem definição concreta sobre um novo endereço para dar continuidade às atividades culturais. O grupo afirma que não recebeu garantias legais suficientes nem apoio financeiro compatível com a complexidade da operação de mudança. Divergência sobre custos e prazos de realocação do Teatro de Contêiner A administração municipal informou ter apresentado quatro opções de terrenos públicos para a realocação do teatro, todos localizados na região central, incluindo endereços na Rua Conselheiro Furtado e na Rua Helvétia. Além disso, foi oferecido um repasse de R$ 100 mil para auxiliar no processo de desmontagem e reinstalação da estrutura. A Companhia Mungunzá, no entanto, contesta a viabilidade da proposta. De acordo com estimativas do grupo, o custo total para desmontar, transportar e remontar o Teatro de Contêiner gira em torno de R$ 2 milhões. Nesse cenário, o valor oferecido pela Prefeitura corresponderia a cerca de 5% do montante necessário. Outro ponto de impasse diz respeito ao prazo de cessão do novo terreno. A companhia solicitou uma autorização de uso por 30 anos, entendendo que esse período é fundamental para garantir estabilidade, planejamento de longo prazo e sustentabilidade financeira do projeto cultural. A Prefeitura, por sua vez, teria concordado apenas com uma cessão limitada a dois anos. Companhia diz não haver segurança para avançar Em nota oficial, a Companhia Mungunzá afirmou que, nas condições apresentadas, não há possibilidade de prosseguir com a transferência do Teatro de Contêiner. O grupo argumenta que não pode investir recursos elevados em um espaço sem garantia de permanência e teme passar novamente por um processo de remoção em curto prazo. Marcos Felipe afirmou ainda que a companhia já havia sinalizado concordância com o terreno da Rua Helvétia, mas reforçou que era necessário mais tempo para organizar a mudança de forma adequada. Segundo ele, desde dezembro o grupo tentava estabelecer diálogo com a Prefeitura para planejar a retirada gradual dos equipamentos, sem sucesso. A situação expõe mais um capítulo da tensão entre políticas de requalificação urbana e a permanência de equipamentos culturais independentes no Centro de São Paulo, tema recorrente nos debates sobre revitalização, direito à cidade e preservação da produção cultural. [1] https://abcdoabc.com.br/teatro-de-conteiner-segue-ameacado/ [2] https://www.ciamungunza.com.br/