
As perdas de água [1] representam um dos maiores entraves para a segurança hídrica do Brasil, especialmente em um cenário de mudanças climáticas e escassez de recursos. De acordo com o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SINISA [2]), com base no ano de 2023, impressionantes 40,31% da produção total é desperdiçada nos sistemas de distribuição antes mesmo de chegar às residências.
Um estudo recente do Instituto Trata Brasil reforça que esse cenário gera prejuízos ambientais severos, além de impactar a receita das concessionárias e onerar a população. O controle rigoroso das perdas de água torna-se, portanto, indispensável para garantir a disponibilidade do abastecimento futuro.
Impacto real do desperdício
Ao analisar o volume total de água não faturada — aquela consumida sem autorização ou vazada nas tubulações —, chegamos a um montante de 5,8 bilhões de m³ em 2023. Para dimensionar a gravidade do problema, esse volume equivale a:
6.346 piscinas olímpicas de água tratada descartadas;
21.153.224 caixas d’água, volume suficiente para abastecer diariamente milhões de famílias.
O cenário crítico das perdas de água no Norte e Nordeste
A situação apresenta disparidades alarmantes quando observamos as macrorregiões brasileiras. O Norte e o Nordeste figuram como as áreas mais carentes, enfrentando desafios técnicos e estruturais complexos para a redução dos índices.
Nestas regiões, a dificuldade em gerenciar as perdas de água agrava um quadro já delicado de saneamento básico. Elas detêm os piores indicadores nacionais não apenas no abastecimento, mas também na coleta e no tratamento de esgotos.
Metas e legislação vigente
Para combater essa ineficiência, o Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) estabeleceu diretrizes rígidas.
"Conforme a Portaria nº 490/2021, o nível aceitável de perdas na distribuição deve ser de, no máximo, 25% e 216 litros por ligação/dia até o ano de 2034."
Caminhos para a eficiência hídrica
Reduzir o desperdício significa aumentar a oferta de recursos hídricos sem a necessidade imediata de explorar novos mananciais ou realizar obras de captação onerosas. Isso resulta em menores custos operacionais e redução do impacto ambiental.
É fundamental que o debate sobre a universalização do saneamento priorize a eficiência. A implementação de programas de inovação e a aceleração dos investimentos são cruciais para que o combate às perdas de água deixe de ser uma meta distante e se torne uma realidade na gestão pública.
[1] https://abcdoabc.com.br/aplicativo-wily-populacao-fiscal-de-agua-esgoto/
[2] https://www.gov.br/cidades/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/saneamento/sinisa