
A Páscoa e a Semana Santa [1] costumam reunir à mesa alimentos que, para parte da população, podem ocasionar alergias e representar um risco real à saúde. Pratos preparados com frutos do mar, receitas com leite de coco, sobremesas com chocolate, castanhas, amendoim e outros ingredientes típicos da data estão entre os alimentos que mais exigem atenção de pessoas com alergia alimentar. Segundo informações reunidas pelo Hospital Geral de Fortaleza (HGF [2]), itens como crustáceos, leite de vaca, soja, castanhas e amendoim estão entre os principais agentes associados a reações alérgicas em períodos como este.
O risco não está apenas no consumo direto. Em muitos casos, pequenas quantidades já são suficientes para provocar sintomas, especialmente quando há contaminação cruzada durante o preparo dos alimentos. Isso pode acontecer quando panelas, colheres, superfícies, panos ou até o óleo de fritura entram em contato com ingredientes alergênicos e depois são reutilizados em outras receitas. Na prática, isso significa que uma refeição aparentemente segura pode se tornar perigosa se for preparada no mesmo ambiente, sem os devidos cuidados.
Frutos do mar e chocolates concentram os principais riscos na Páscoa
(Imagem/Freepik)
Entre os alimentos que mais preocupam e ocasionam alergias na Semana Santa, os frutos do mar aparecem como um dos principais gatilhos de reações graves. De acordo com o material do HGF, crustáceos como camarão, lagosta e caranguejo contêm uma proteína chamada tropomiosina, que continua ativa mesmo após o cozimento. Em pessoas mais sensíveis, a reação pode ser desencadeada não apenas pela ingestão, mas até pelo vapor ou pelo cheiro durante o preparo.
No caso dos chocolates, o alerta vai além do cacau. Muitos ovos e doces típicos da Páscoa contêm leite, soja, oleaginosas, amendoim e outros ingredientes que estão entre os alergênicos mais comuns. Além disso, produtos industrializados podem apresentar traços de ingredientes não visíveis à primeira vista, o que exige leitura cuidadosa dos rótulos e atenção redobrada por parte de famílias com crianças ou adultos alérgicos. O texto também aponta que chocolates veganos podem ser uma alternativa mais segura em alguns casos, especialmente quando a restrição envolve ingredientes de origem animal, como laticínios e ovos.
Coceira, falta de ar e inchaço são sinais de alerta para alergias
(Imagem/Freepik)
Os sintomas de uma reação alérgica podem variar de intensidade, mas alguns sinais exigem atenção imediata. Entre os mais comuns estão coceira na pele, vermelhidão, coriza, inchaço, desconforto respiratório, aperto no peito, tontura e sensação de garganta fechando. Segundo o alergista e imunologista Danilo Gois Gonçalves, do HGF, quadros leves podem ser controlados com antialérgicos, mas reações mais graves exigem atendimento médico urgente.
Em situações com dificuldade para respirar, sensação de sufocamento ou sinais de piora rápida, a orientação é procurar atendimento imediatamente ou acionar o Samu (192). O hospital também reforça que, para pessoas com histórico de alergia alimentar, a prevenção continua sendo a melhor estratégia: saber exatamente o que será servido, evitar preparos compartilhados e conversar com antecedência sobre os ingredientes usados pode ser decisivo para evitar uma emergência em pleno feriado.
[1] https://abcdoabc.com.br/pascoa-disputa-entre-fe-consumo-vida-acelerada/
[2] https://www.hgf.ce.gov.br/