O papel do flare no Polo Petroquímico do ABC

09/04/2026 - 13:40  
O papel do flare no Polo Petroquímico do ABC
O papel do flare no Polo Petroquímico do ABC Na madrugada do dia 17 de março, muitos moradores do Grande ABC perceberam um forte clarão vindo do Polo Petroquímico da região. [1] Para quem está do lado de fora, pode causar apreensão. É compreensível: uma luz intensa, um som diferente e algo fora da rotina despertam dúvidas. Por isso, é importante explicar, de forma clara e direta, o que aconteceu naquela noite. O que se viu não foi um incidente fora de controle, mas a atuação de um dos principais sistemas de segurança da indústria petroquímica: o flare. O que aconteceu na madrugada do dia 17 Naquele momento, houve uma interrupção no fornecimento externo de energia elétrica, uma ocorrência que afetou não apenas o Polo Petroquímico, mas os moradores da região. Quando isso acontece, as unidades entramautomaticamente em modo de segurança. Esse processo é automático, projetado, testado e simulado para agir com rapidez e controle. É nesse contexto que o flare entra em ação. O flare é um sistema de queima controlada de gases, utilizado no mundo todo nas indústrias químicas, petroquímicas e de óleo e gás. Ele permite eliminar, com segurança, gases que não podem ser processados naquele instante, evitando riscos e protegendo as instalações, os trabalhadores, a comunidade e o meio ambiente. Em termos simples, ele funciona como uma válvulade alívio do processo, com uma diferença importante: ele é visível. A chama que aparece, às vezes acompanhada de maior luminosidade e som, é resultado dessa queima controlada. O que pode parecer preocupante, num primeiro momento, é justamente um indicativo de que os sistemas de proteção estão funcionando como deveriam. Investimentos e tecnologia ampliam a estabilidade no Polo Petroquímico Ao longo dos anos, a Braskem [2]no ABC vem investindo continuamente em melhorias tecnológicas, confiabilidade operacional e segurança de processos no Polo Petroquímico. Esse é um compromisso permanente da companhia:evoluir sempre, mesmo em operações que já são estruturadas para operar com segurança. Um exemplo é o projeto Vesta, com investimento de um pouco mais de R$800 milhões, consiste em um conjunto de soluções em tecnologia, equipamentos e sistemas de controle que ampliam ainda mais a estabilidade e a previsibilidade das operações. Com operações cada vez mais estáveis, o acionamento do flare se torna menos frequente no Polo Petroquímico. E, justamente por isso, quando acontece, chama mais a atenção de quem está ao redor, por sair da rotina. É importante esclarecer também que existem diferentes tipos de flare, cada um com uma função específica. O flare elevado (stack flare), mais visível, está instalado no topo de estruturas altas e é utilizado principalmente quando há a necessidade de liberar rapidamente maiores volumes de gases, garantindodispersão eficiente e segurança operacional. O flare ao nível do solo (ground flare) é menos visível e também tem uma ótima eficiência de queima. Durante a noite, pode gerar uma luminosidade característica, podendo deixar o céu alaranjado e éperceptível por quem está na região. Há ainda o flare enclausurado, uma tecnologia mais recente, que opera dentro de estruturas fechadas, reduzindo de forma significativa os impactos visuais, sonoros e luminosos, oferecendo também umbom controle do processo de queima. Segurança visível e diálogo com a comunidade Independentemente do tipo, todos os flares têm o mesmo objetivo: proteger as pessoas, as instalações, as comunidades do entorno e o meio ambiente. A presença desse parque de flares, com três modelos distintos e complementares, representa um importante diferencial positivo, evidenciando alto nível tecnológico, robustez operacional e investimentos consistentes em segurança, eficiência e sustentabilidade. O episódio do último dia 17 de março reforça como esses sistemas funcionam na prática. Situações externas, como a interrupção de energia, são previstas nos projetos das plantas, que já contam com respostas automáticas e seguras para esses cenários. Por isso, ao se tornar cada vez menos frequente graças aos investimentos realizados, o acionamento do flare passa a causar a sensação de algo grandioso e distinto, quando na verdade não é um evento forado comum, mas a atuação de um sistema confiável e preparado para proteger. Ainda assim, sabemos que a visualização do flare pode gerar dúvidas, o que é absolutamente natural. Nesse contexto, manter um diálogo transparente com a comunidade é parte essencial do nosso trabalho, pois informar com clareza é tão importante quanto operar com segurança no Polo Petroquímico. Seguiremos avançando com responsabilidade, investindo continuamente em segurança, tecnologia, inovação e diálogo. Quando a segurança se torna visível, ela também se torna uma oportunidade de reforçar nosso compromisso com as pessoas, com o meio ambiente e com as comunidades com as quais convivemos todos os dias. Luis Pazin (Divulgação/Braskem) Luis Pazin é diretor industrial da Braskem São Paulo. [1] https://abcdoabc.com.br/braskem-explica-clarao-e-estrondo-no-polo-de-capuava/ [2] https://www.braskem.com.br/