“Não fui avisado”, afirma Tite sobre expulsão do PL

08/04/2026 - 14:20  
“Não fui avisado”, afirma Tite sobre expulsão do PL
“Não fui avisado”, afirma Tite sobre expulsão do PL A expulsão do prefeito de São Caetano do Sul, Tite Campanella [1], do Partido Liberal (PL [2]) foi anunciada sem aviso prévio ao próprio chefe do Executivo municipal. Segundo ele, a decisão foi conhecida por meio da imprensa, poucos minutos antes de qualquer comunicação oficial da legenda. Durante coletiva concedida à imprensa, o prefeito relatou o episódio e destacou a surpresa com a condução do processo. “Eu fiquei sabendo da minha expulsão pela Folha de São Paulo, a Folha de São Paulo manda para a gente um questionamento, aproximadamente uns 40, 45 minutos antes do Partido me informar”, afirmou. Campanella também destacou que vereadores da sigla na cidade foram igualmente surpreendidos e decidiram, de forma espontânea, renunciar aos cargos no diretório municipal. “Eles decidiram também renunciar os seus cargos do Diretório Municipal do PL”, disse. Crítica a senadores motivou decisão De acordo com o prefeito, a expulsão ocorreu após declarações feitas em sessão solene, nas quais criticou a atuação de senadores do Estado de São Paulo. Ele sustenta que a punição foi desproporcional e sem garantia de defesa. “É uma coisa muito engraçada falar que eu fui expulso de um partido porque eu emiti uma opinião”, declarou. Ele reforçou que não houve espaço para contraditório no processo interno. “Sem dar direito ao contraditório, sem dar direito à ampla defesa, sem dar direito absolutamente a nenhuma maneira”, afirmou. O prefeito reiterou o conteúdo das críticas feitas anteriormente. “Eu continuo com essa opinião, não mudo de opinião, reitero que o nosso Senado, ele é profundamente fraco”, disse. Processo interno é questionado Suzana Rezende / ABCdoABC Campanella classificou a decisão como incomum na política brasileira e afirmou nunca ter visto situação semelhante. “Acho que eu sou o primeiro prefeito expulso de maneira sumária do partido, e não é por corrupção, não é por malversação, não é por condenação criminal, simplesmente por emitir uma opinião”, afirmou. Ele também criticou a rapidez do processo, que teria ocorrido em cerca de dez dias após a denúncia. “Essa expulsão tenha acontecido num prazo rápido, em torno de 10 dias”, disse. Relação com o partido e ausência de diálogo O prefeito afirmou que não foi comunicado sobre qualquer processo disciplinar e que não teve contato com lideranças nacionais do partido. “Não fui informado de absolutamente nada. Nem sabia de que esse processo tinha sido aberto”, declarou. Sobre o presidente nacional da legenda, acrescentou: “O Valdemar não falou comigo, não. Também não precisa”. Ele também destacou que não mantinha relação próxima com o senador que teria motivado a representação. “Com o Marcos Pontes nunca tive nenhum contato”, disse. Críticas ao posicionamento do partido Durante a coletiva, Campanella questionou a coerência ideológica do PL e apontou fragilidade na condução partidária. “O partido passa, o partido fraco, que hesita bastante na forma como conduz a sua filosofia e sua ideologia”, afirmou. Ele também demonstrou preocupação com o cenário político nacional e com possíveis impactos da decisão. “Um partido que não respeita o direito de defesa, um partido que não respeita uma posição contraditória, um partido que não respeita uma crítica, realmente não é um partido que está preparado para a democracia”, disse. Convites de outros partidos e futuro político Após a expulsão, o prefeito relatou ter recebido contatos de diferentes lideranças políticas e partidos interessados em sua filiação. “Uma das grandes alegrias que nós tivemos de ontem para hoje foram os contatos que a gente recebeu das mais variadas lideranças políticas aqui do Brasil”, afirmou. Entre os convites, ele citou o Republicanos. “A primeira ligação que eu recebi ontem à tarde foi o governador Tarcísio colocando o Republicanos à disposição”, disse. Apesar disso, afirmou que ainda não tomou decisão sobre o futuro partidário. “A gente conversa com todo mundo, obviamente, mas sem pressa, sem afobação”, declarou. Prefeito descarta recurso contra expulsão Campanella afirmou que não pretende recorrer da decisão do partido, aceitando o desligamento de forma definitiva. “Eu fico muito feliz em não recorrer, que é aceitar a decisão soberana do PL”, disse. Ele acrescentou que considera o vínculo encerrado. “eu considero fora do PL desde já”, afirmou. Apoio político local e reação na Câmara A expulsão gerou manifestações de apoio de vereadores e aliados políticos. Segundo o prefeito, a solidariedade foi espontânea. “Foi uma solidariedade espontânea da parte deles. Não foi combinado”, disse. Ele também ressaltou a relação com os parlamentares da cidade. “Eles sabem como é que a gente pensa, como é que a gente atua”, afirmou. Debate sobre liberdade de expressão Ao longo da coletiva, o prefeito associou sua expulsão a um debate mais amplo sobre liberdade de expressão dentro de partidos políticos. “Um partido que age dessa forma não pode reclamar amanhã de qualquer medida de exceção que incorrer sobre ele”, declarou. Campanella avaliou que o episódio pode ter reflexos para o próprio partido e para o cenário eleitoral. “Eu, se fosse candidato a presidente pelo PL, ficaria realmente muito preocupado”, disse. Ele também afirmou que a decisão pode afetar a imagem da legenda. “A demonstração que eles dão com a minha expulsão é que eles não estão preparados para a democracia”, declarou. [1] https://www.abcdoabc.com.br/tite-campanela-sao-caetano-expulso-pl [2] https://partidoliberal.org.br/