
O mundo do rock gótico e alternativo está em luto. O músico Perry Bamonte [1], conhecido por sua versatilidade como guitarrista e tecladista do The Cure [2], faleceu aos 65 anos. A confirmação da morte foi feita pela própria banda nesta sexta-feira (26), por meio de um comunicado oficial que emocionou fãs ao redor do globo. O artista enfrentava uma doença recente e partiu em sua residência durante o período natalino.
No texto publicado nas redes sociais, os integrantes do grupo — liderado por Robert Smith — prestaram uma homenagem sensível ao colega. Perry Bamonte foi descrito como um homem "quieto, intenso, intuitivo, confiável e imensamente criativo". Para os membros, ele não era apenas um músico excepcional, mas uma figura de profundo afeto que ajudou a moldar a sonoridade densa e atmosférica que define o The Cure.
De técnico a membro oficial: a jornada de Perry Bamonte
A história de Perry Bamonte com o The Cure começou nos bastidores. Entre 1984 e 1989, ele atuou como técnico de instrumentos da banda (roadie), conhecendo cada detalhe da engrenagem sonora do grupo. Sua oportunidade como membro oficial surgiu em 1990, substituindo Roger O'Donnell nos teclados e, posteriormente, assumindo as guitarras.
Sua contribuição foi vital na década de 90, participando de álbuns que se tornaram clássicos absolutos, como o aclamado "Wish" (1992) — que contém o hit mundial "Friday I'm in Love" — e o experimental "Wild Mood Swings" (1996). Durante sua primeira passagem oficial, que durou até 2005, Bamonte esteve presente em mais de 400 apresentações internacionais, consolidando-se como uma peça-chave nas performances ao vivo da banda.
O retorno em 2022 e o legado na música
Após um hiato de 17 anos longe dos palcos com o grupo, Perry Bamonte surpreendeu o público ao retornar oficialmente ao The Cure em 2022, durante a turnê Shows Of A Lost World. Desde o seu regresso, ele participou de mais de 90 shows, reafirmando sua conexão técnica e emocional com a discografia da banda e com as novas gerações de fãs.
A morte de Perry Bamonte encerra um capítulo importante da música britânica. Sua habilidade de transitar entre a guitarra, o baixo e os teclados conferia ao The Cure uma textura sonora única, essencial para a construção das melodias melancólicas que tornaram a banda um ícone cultural.
Até o momento, não foram divulgados detalhes sobre o funeral. Fãs e artistas de diversas partes do mundo continuam a prestar homenagens nas redes sociais, celebrando a vida de um artista que, embora preferisse a discrição fora dos palcos, brilhava com uma intensidade intuitiva toda vez que empunhava seu instrumento.
[1] https://pt.wikipedia.org/wiki/Perry_Bamonte
[2] https://abcdoabc.com.br/the-cure-volta-as-raizes-goticas-em-novo-album-songs-of-a-lost-world/