
A letalidade policial registrou um aumento alarmante na Baixada Santista [1], consolidando a região como o principal foco de violência estatal no Estado de São Paulo [2] neste início de ano. De acordo com dados oficiais, o primeiro bimestre de 2026 contabilizou 23 mortes causadas por intervenções policiais na região, contra apenas seis no mesmo período do ano anterior. Esse salto de 283% ocorre mesmo sem a vigência de operações específicas de grande porte, como as ocorridas em anos anteriores.
As cidades da Baixada Santista que registraram alta e concentraram os casos de letalidade policial foram Guarujá, Santos e Cubatão. O recrudescimento da violência foi marcado por episódios de mortes múltiplas: em Santos, três pessoas foram mortas em uma única ocorrência no dia 23 de janeiro; cenário que se repetiu em Cubatão, no dia 30 do mesmo mês. Esses indicadores revelam que a tendência de alta persiste na região metropolitana, que já havia sido palco das operações Escudo e Verão.
Na Baixada Santista, o aumento das mortes por forças de segurança caminha na contramão de outros indicadores criminais locais. Embora o conjunto dos nove municípios tenha registrado 20 assassinatos (homicídios dolosos) — dois a mais que em 2025 —, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) ressalta que houve queda em furtos e roubos na área de abrangência do Deinter-6 (Santos), atingindo patamares históricos de redução, o que contrasta com a curva ascendente da letalidade policial.
O cenário da violência no Estado de São Paulo
Já no Estado de São Paulo como um todo, os dados apontam que policiais militares e civis mataram 130 pessoas em janeiro e fevereiro de 2026. Com uma média de duas mortes por dia, a letalidade policial paulista subiu 41% em comparação ao primeiro bimestre de 2025. O índice estadual é impulsionado pelo desempenho de tropas de elite, como a Rota, que já se envolveu em 22 mortes apenas nestes dois meses.
O governo estadual enfrenta o desafio de explicar por que a letalidade policial avança enquanto os crimes contra o patrimônio e a vida apresentam queda generalizada. No estado, o homicídio doloso recuou 7,5%, atingindo o menor número da série histórica para o período. Em nota, a Secretaria de Segurança Pública justificou os números:
"A gestão intensificou o enfrentamento à criminalidade violenta e organizada, com a realização de operações de alta complexidade e risco, o que influencia diretamente o tipo de ocorrência enfrentada pelas equipes."
Uso de câmeras e controle da atividade policial
A questão do controle sobre a letalidade policial passa obrigatoriamente pelo debate das câmeras corporais. Sob a gestão Tarcísio de Freitas, a Polícia Militar adotou modelos cujo acionamento depende da iniciativa do agente ou de proximidade com outros equipamentos. O Ministério Público Estadual já denunciou casos em que PMs foram acusados de fraudar provas e tapar lentes durante incursões letais, o que mantém o tema sob vigilância do Judiciário e de órgãos de direitos humanos.
Tópicos e Estatísticas (1º Bimestre de 2026)
Mortes na Baixada Santista: 23 (Alta de 283%)
Mortes no Estado (Total): 130 (Alta de 41%)
Homicídios Dolosos (Estado): 392 (Queda de 7,5%)
Feminicídios (Estado): 56 (Maior número desde 2018)
[1] https://abcdoabc.com.br/noticias/baixada-santista/
[2] https://www.sp.gov.br/sp