Letalidade policial em SP tem 2º maior índice de mortes em 5 anos

Letalidade policial em SP tem 2º maior índice de mortes em 5 anos
Letalidade policial em SP tem 2º maior índice de mortes em 5 anos A letalidade policial em SP atingiu o segundo patamar mais elevado dos últimos cinco anos entre janeiro e outubro de 2025. Dados oficiais revelam que as forças de segurança do estado, englobando as Polícias Militar e Civil, registraram 650 mortes no período. Esse volume de ocorrências fatais fica atrás apenas dos números de 2024, ano marcado pela Operação Verão, que resultou em 56 óbitos e se consolidou como a ação mais letal da história da PM paulista [1] desde o Massacre do Carandiru. A atual administração do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) sinaliza uma inversão drástica na curva de violência institucional. Enquanto a gestão anterior, sob comando de João Doria, reduziu as mortes por intervenção de agentes em 54% entre 2020 e 2022, o governo atual caminha na direção oposta. No mesmo intervalo comparativo, os indicadores sob Tarcísio apontam um crescimento de 69% nas fatalidades. Antes da posse do atual governador, a letalidade policial em SP encontrava-se no nível mais baixo em duas décadas. Os dados atuais compilam tanto incidentes ocorridos durante o serviço quanto confrontos envolvendo policiais fora do expediente (folga). Impacto da gestão política na segurança Especialistas apontam que a condução política da segurança pública influencia diretamente o comportamento nas ruas. Sérgio Adorno, coordenador científico do Núcleo de Estudos da Violência da USP, avalia o cenário: "Há uma crescente contaminação política na gestão da segurança pública, tornando o controle sobre a letalidade policial menos rigoroso. O baixo custo político para permitir essa letalidade é problemático devido à falta de cobrança efetiva por parte da sociedade civil organizada." A letalidade policial em SP não se restringe mais apenas à capital ou ao litoral. O fenômeno da "interiorização das mortes" foi destacado pelo ouvidor das polícias, Mauro Caseri. Regiões como Ribeirão Preto e Campinas, além de cidades da Grande São Paulo como São Bernardo do Campo e Guarulhos, apresentaram altas significativas. Casos emblemáticos e reações da Justiça A natureza das ocorrências varia, mas episódios envolvendo cidadãos desarmados geraram forte comoção pública e questionamentos sobre o preparo da tropa em 2025. Caso do Marceneiro: Guilherme Dias Santos Ferreira, 26 anos, foi morto com um tiro nas costas enquanto corria para pegar um ônibus. O autor, o policial Fabio Anderson Pereira de Almeida (de folga), alegou ter confundido a vítima com um assaltante. A Justiça o liberou em menos de duas semanas, citando "bons antecedentes". Ação em Paraisópolis: Igor Oliveira de Morais Santos foi morto em julho, mesmo estando com as mãos levantadas. O caso detonou protestos e destruição na comunidade. Execução filmada: Em junho, um morador de rua foi mantido rendido por mais de uma hora antes de ser executado com tiros de fuzil. As câmeras corporais foram decisivas para a prisão em flagrante dos agentes. O papel da tecnologia segue central no debate sobre a letalidade policial em SP. As novas câmeras corporais adquiridas na gestão Tarcísio permitem acionamento remoto, funcionalidade que facilitou a coleta de provas e a prisão de maus policiais em casos recentes. O posicionamento oficial A Secretaria de Segurança Pública (SSP [2]) defende a atuação das forças estaduais. A pasta afirma que todas as ocorrências de morte são investigadas rigorosamente pelas Polícias Civil e Militar, sob escrutínio das corregedorias, Ministério Público e Judiciário. Segundo a SSP, os protocolos são revisados constantemente. Como medida de contenção de danos e modernização, o governo incorporou recentemente 3.500 armas não letais ao arsenal. A secretaria também destaca que, desde 2023, mais de 1.200 agentes foram punidos com prisão, demissão ou expulsão por condutas inadequadas. Apesar das medidas administrativas, a preocupação com a qualidade das provas persiste. Casos com indícios claros de força excessiva frequentemente resultam em absolvições, levantando dúvidas sobre a preservação dos locais de crime e o uso correto das câmeras. O cenário exige monitoramento constante para que a letalidade policial em SP não retorne permanentemente aos patamares críticos de décadas passadas. [1] https://abcdoabc.com.br/policia-detem-quadrilha-em-sp/ [2] https://www.ssp.sp.gov.br