
O presidente da Argentina [1], Javier Milei [2], iniciou o ano de 2026 com uma medida que promete elevar a tensão política em Buenos Aires. Através de um decreto publicado nesta sexta-feira (2), o mandatário reestruturou profundamente a Secretaria de Inteligência do Estado (SIDE), concedendo à agência o poder inédito de deter indivíduos no exercício de suas funções. A reforma, que não passou pelo crivo do Congresso, é justificada pelo governo como um passo necessário para alinhar o país aos "padrões globais de segurança".
Segundo o texto assinado por Javier Milei, o pessoal de inteligência poderá proceder à apreensão de indivíduos em flagrante ou por determinação judicial, devendo notificar as forças de segurança imediatamente após a ação. O decreto também estabelece que todas as operações da agência devem ser estritamente secretas, visando proteger o Estado contra espionagem estrangeira e interferências externas.
Oposição denuncia criação de "Estado policial" sob Javier Milei
A decisão de governar por decreto neste tema sensível gerou uma onda de críticas entre parlamentares de centro e de esquerda. Coalizões de deputados denunciaram que as novas atribuições transformam a SIDE em uma espécie de "polícia secreta", abrindo caminho para o que chamam de um "Estado policial" destinado a perseguir dissidentes.
Para os críticos, a medida de Javier Milei retira o controle civil sobre as tarefas de vigilância e permite que as Forças Armadas realizem operações de inteligência interna, algo restrito desde a redemocratização do país. O deputado peronista Agustín Rossi já anunciou que o bloco opositor trabalhará no Congresso para derrubar o decreto, o que exigiria a rejeição tanto na Câmara quanto no Senado.
Karina Milei assume controle estratégico da cibersegurança
Uma das mudanças estruturais mais significativas é a criação do Centro Nacional de Cibersegurança. O órgão será subordinado à Chefia de Gabinete de Manuel Adorni, figura central na estrutura de poder de Javier Milei. Na prática, a mudança transfere o controle sobre a proteção de dados estratégicos e infraestruturas críticas para a órbita de Karina Milei, secretária-geral da Presidência e irmã do presidente.
Esta é a primeira vez que Karina terá influência direta e controle operacional sobre o aparato de inteligência argentino. O departamento será responsável por blindar o ciberespaço nacional e os sistemas de serviços públicos essenciais contra ataques digitais.
Justificativa e os traumas do terrorismo na Argentina
O governo defende que a "cadência habitual do processo legislativo" causaria um atraso perigoso na modernização do sistema. O comunicado oficial de Javier Milei lembra que o novo papel central da Argentina no cenário mundial exige eficiência contra ameaças transnacionais.
O histórico de segurança do país também pesa na balança: a Argentina ainda carrega as cicatrizes dos atentados terroristas contra a Embaixada de Israel (1992) e a associação judaica AMIA (1994). Para a SIDE, as novas tarefas de contraespionagem são fundamentais para evitar que tragédias semelhantes se repitam, protegendo os ativos estratégicos do Estado contra agentes estrangeiros.
[1] https://pt.wikipedia.org/wiki/Argentina
[2] https://abcdoabc.com.br/milei-futuro-eleicao-legislativa-crucial/