
Uma tecnologia criada na Universidade de São Paulo [1] (USP) ganhou reconhecimento internacional ao ser utilizada no acompanhamento de astronautas em missões do programa Artemis [2], da Nasa. O equipamento, chamado actígrafo, registra continuamente padrões de sono, atividade física e exposição à luz, oferecendo dados essenciais para pesquisas em ambientes extremos.
Actígrafo e o monitoramento de astronautas no programa Artemis
Artemis II astronautas: NASA/Frank Michaux
O dispositivo desenvolvido na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH-USP), sob coordenação do professor Mario Pedrazzoli, especialista em cronobiologia e estudos do sono, passou a integrar protocolos de monitoramento de astronautas em ambientes de microgravidade.
Em missões espaciais, a análise dos ritmos circadianos é considerada fundamental para preservar o desempenho e a segurança de astronautas. O actígrafo, utilizado no pulso, registra movimentos corporais, intensidade luminosa e até o espectro da luz ambiente, incluindo a luz azul, elemento-chave na regulação do ciclo sono-vigília.
Desenvolvimento na USP e apoio da FAPESP
A tecnologia teve origem em pesquisas conduzidas na EACH-USP e contou, em sua fase inicial, com financiamento do Programa PIPE da FAPESP, voltado ao incentivo de inovação em pequenas empresas. A partir dessa base científica, o equipamento foi aprimorado e produzido pela empresa Condor Instruments, alcançando nível de aplicação internacional.
Em estudos laboratoriais e de campo, o sistema permite observar como a desorganização do sono e a exposição irregular à luz afetam o organismo humano, especialmente em contextos de alta complexidade como o vivenciado por astronautas.
Impactos científicos e aplicações na saúde
Diferentemente de dispositivos comerciais voltados ao bem-estar, o actígrafo tem foco estritamente científico e é amplamente utilizado em pesquisas de cronobiologia, neurociências e saúde pública. Sua capacidade de monitoramento contínuo permite investigações detalhadas sobre padrões biológicos e comportamentais.
Os dados obtidos ajudam a compreender como fatores ambientais interferem na saúde e no desempenho de astronautas, especialmente em missões de longa duração, além de contribuir para o avanço de estudos sobre distúrbios do sono.
Para a USP, a presença do equipamento em missões espaciais representa um marco científico relevante, reforçando o papel da universidade na produção de conhecimento de impacto global. Além do uso espacial, os resultados também têm aplicação em políticas públicas voltadas à melhoria da qualidade de vida, beneficiando diretamente a proteção dos astronautas em ambientes extremos.
[1] https://www5.usp.br/
[2] https://abcdoabc.com.br/artemis-ii-missao-nasa-lua/