
O presidente Donald Trump [1] subiu o tom nesta terça-feira (13) ao anunciar uma política agressiva de desnaturalização dirigida a imigrantes residentes nos Estados Unidos [2]. Em um pronunciamento marcado por críticas diretas à comunidade somali de Minnesota, o republicano afirmou que o governo federal irá revogar a cidadania de quaisquer imigrantes naturalizados que venham a ser "condenados por fraudar cidadãos americanos".
A medida, se implementada, representa um dos ataques mais frontais ao conceito de cidadania plena nos Estados Unidos. "Vamos tirá-los daqui rapidamente", declarou Trump, reforçando que o destino de estrangeiros naturalizados envolvidos em crimes financeiros ou fraudes contra o sistema de seguridade social será a prisão seguida da deportação imediata para seus países de origem.
Foco na comunidade somali e investigações em Minnesota
As declarações de Trump ocorrem em um momento de tensão em Minnesota, estado que abriga a maior população de origem somali nos Estados Unidos. O presidente voltou a utilizar termos depreciativos para se referir ao país africano e seus representantes políticos, mantendo a linha de ataques iniciada em dezembro de 2025.
O alvo específico da retórica presidencial é uma investigação federal em curso sobre supostos esquemas fraudulentos em programas de assistência social no estado. Segundo Trump, a hospitalidade dos Estados Unidos não pode ser explorada: "Se você vier para a América para roubar americanos, vamos colocá-lo na prisão e enviá-lo de volta para o lugar de onde você veio", reiterou o mandatário.
O desafio legal da desnaturalização nos Estados Unidos
Especialistas em imigração apontam que o plano de Trump esbarra em proteções constitucionais consolidadas nos Estados Unidos. Atualmente, um cidadão naturalizado possui, teoricamente, os mesmos direitos de quem nasceu no país, e a perda da cidadania exige provas de que o indivíduo mentiu ou omitiu informações durante o processo de naturalização.
No entanto, um memorando recente do Departamento de Justiça sugere uma mudança de diretriz, orientando advogados federais a buscarem a desnaturalização de indivíduos que representem "perigo potencial para a segurança nacional". Essa brecha jurídica pode ser o caminho utilizado pela administração para acelerar as expulsões.
Dados da Comunidade Somali em Minnesota:
Nascidos nos EUA: 58% da população de origem somali.
Naturalizados: 87% daqueles que nasceram no exterior e residem no estado.
Status Jurídico: A grande maioria goza de plenos direitos de cidadania nos Estados Unidos.
Reações e Impacto Internacional
O anúncio gerou indignação entre grupos de direitos civis e líderes da comunidade imigrante, que veem na fala presidencial uma tentativa de criar "cidadãos de segunda classe" nos Estados Unidos. A retórica de "limpeza" do sistema de imigração tem sido uma marca registrada do governo, mas a ameaça direta contra cidadãos já naturalizados eleva o debate a um novo patamar de incerteza jurídica para milhões de pessoas que escolheram os Estados Unidos como lar.
[1] https://pt.wikipedia.org/wiki/Donald_Trump
[2] https://abcdoabc.com.br/estados-unidos-66-organizacoes-internacionais/