
A prisão domiciliar de Bolsonaro é apoiada por 59% dos brasileiros. O instituto Datafolha [1] divulgou o novo levantamento neste fim de semana, revelando que a maior parcela da população prefere a manutenção do ex-presidente em casa. O grupo que defende o retorno ao regime fechado representa 37% dos entrevistados, enquanto 5% não souberam opinar.
O instituto de pesquisa ouviu 2.004 pessoas em 137 municípios brasileiros entre os dias 7 e 9 de abril. A margem de erro registrada é de dois pontos percentuais. O levantamento está formalizado na Justiça Eleitoral sob o número BR-03770/2026.
Motivos médicos garantiram a prisão domiciliar de Bolsonaro
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a transferência temporária no último dia 27 de março. A prisão domiciliar de Bolsonaro tem duração inicial de 90 dias, concedida em caráter humanitário. O ex-presidente apresentou um quadro de broncopneumonia bacteriana nos pulmões após internação no dia 13.
A condenação de Jair Bolsonaro atinge 27 anos e 3 meses devido à participação na trama golpista após as eleições de 2022. Antes da decisão de Moraes, o político cumpria a pena no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, estrutura conhecida como Papudinha. A defesa acionou a Corte após complicações decorrentes de crises de soluço do paciente.
Perfil demográfico e polarização política
O apoio à prisão domiciliar de Bolsonaro cresce entre os mais velhos, alcançando 61% no grupo acima de 60 anos. A aprovação atinge o pico de 81% entre os empresários. A faixa mais jovem, de 16 a 24 anos, apresenta 44% de preferência pelo retorno à prisão, índice semelhante aos 42% registrados entre desempregados.
A região Nordeste apresenta um cenário de empate técnico, marcando 48% favoráveis à permanência em casa contra 47% pela prisão comum. O espectro político reflete a divisão nacional. Eleitores que se declaram de centro aprovam a medida atual com 53%. Bolsonaristas registram 94% de apoio ao regime domiciliar, contra 68% dos petistas que exigem a volta imediata ao cárcere.
Regras rigorosas e impactos eleitorais
O descumprimento das medidas cautelares resultará na revogação da prisão domiciliar de Bolsonaro. O ex-presidente carrega a obrigatoriedade do uso de tornozeleira eletrônica e o banimento total de redes sociais. O perímetro da residência possui restrição de aglomerações em um raio de um quilômetro.
A rotina de visitas obedece ao padrão prisional anterior, limitando o acesso dos filhos às quartas e sábados, das 8h às 16h. Advogados necessitam de agendamento prévio com a Polícia Militar. Apenas a equipe médica possui trânsito livre diário, visando barrar riscos de infecções ao político e preservar seu quadro clínico.
O levantamento também mediu o impacto de todo o cenário político na corrida eleitoral deste ano. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva perdeu a vantagem no segundo turno, aparecendo numericamente atrás do senador Flávio Bolsonaro com 45% contra 46%. A continuidade do debate jurídico sobre a prisão domiciliar de Bolsonaro permanece como um elemento central na variação de humor do eleitorado.
[1] https://abcdoabc.com.br/datafolha-lula-flavio-empata-2-turno/