
O custo da energia figura hoje como o principal entrave para a expansão e sustentabilidade do setor produtivo brasileiro. Insumo onipresente em todas as etapas da manufatura, a eletricidade cara drena a margem de lucro e retira o fôlego das empresas nas disputas globais.
O CIESP Santo André [1], que coordena as atividades industriais [2] em Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, intensificou o alerta sobre essa fragilidade estrutural. A entidade aponta que a energia deixou de ser apenas uma conta mensal para se tornar uma variável estratégica de sobrevivência.
O peso do insumo na produção fabril
Edvaldo Barone/ABCdoABC
Eduardo Batistella Mazurkyewistz, diretor titular da Regional, defende que a eletricidade deve ser encarada pelo empresário como uma matéria-prima essencial. Sem ela, a transformação de recursos é impossível. Quando o custo da energia sobe, o efeito cascata atinge imediatamente o preço final dos produtos e a saúde financeira das operações.
"A energia é praticamente uma matéria-prima. Ela está presente em todo o processo produtivo e tem peso direto na formação dos custos."
Essa pressão inflacionária interna coloca a indústria nacional em desvantagem perante mercados estrangeiros. Países com matrizes energéticas mais baratas ou subsídios eficientes conseguem exportar com preços que o Brasil, sobrecarregado por tarifas e encargos, tem dificuldade em acompanhar.
Estratégias para mitigar o custo da energia
Imagem: Freepik
A busca por alternativas energéticas deixou de ser um diferencial para se tornar uma necessidade de mercado. O setor industrial agora foca em soluções como o uso de gás natural, biomassa e tecnologias de ponta em eficiência energética para frear o desperdício.
O CIESP Santo André firmou um convênio estratégico com a Jacarandá Investimentos e o BTG Pactual para enfrentar esse cenário. O objetivo é oferecer aos associados condições exclusivas para a estruturação de projetos que otimizem o consumo e reduzam drasticamente o custo da energia nas plantas industriais.
Análise técnica de oportunidades de consumo.
Identificação de fontes de suprimento mais baratas.
Redução direta de despesas operacionais fixas.
Fomento à competitividade regional
A gestão eficiente dos recursos é a única saída para manter a indústria do ABC competitiva no longo prazo. Mazurkyewistz ressalta que o papel das entidades de classe é fornecer as ferramentas práticas para que o industrial não lute sozinho contra as tarifas elevadas.
Oferecer caminhos para reduzir o custo da energia fortalece o vínculo entre a entidade e o setor produtivo. Mais do que representar interesses políticos, o foco atual reside em entregar soluções financeiras e técnicas que garantam a continuidade das chaminés funcionando na região.
[1] https://www.google.com/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=&cad=rja&uact=8&ved=2ahUKEwj1reaUvqeTAxUHKrkGHQEVGO4QFnoECBsQAQ&url=https%3A%2F%2Fregional.ciesp.com.br%2Fsantoandre%2F&usg=AOvVaw1hwH5-dW8pwofbz68vFQeP&opi=89978449
[2] https://abcdoabc.com.br/numero-mulheres-na-industria-cresceu-70-5-anos/