
O consumo de peixes ganha um impulso decisivo com a chegada da Páscoa [1], período em que a tradição religiosa e a busca por hábitos saudáveis ditam o ritmo das gôndolas. Um estudo inédito conduzido pela APTA Regional de Presidente Prudente [2] mapeou o comportamento de compra em São Paulo e Minas Gerais, revelando como as famílias decidem o que levar para a mesa.
A pesquisa abrangeu consumidores com renda entre R$ 3 mil e R$ 15 mil, focando em entender os critérios que definem a escolha do pescado. Ricardo Firetti, pesquisador da unidade e doutor em política científica, destaca que entender o perfil desse público é vital para fortalecer a piscicultura nacional e orientar o varejo.
Metodologia de campo e abrangência regional
Diferente de levantamentos digitais, os pesquisadores foram às ruas para coletar dados reais. A equipe aplicou 4.000 questionários presenciais e catalogou mais de 6.000 itens em 180 pontos de venda, incluindo atacarejos e hipermercados. O estudo cobriu 30 cidades que somam aproximadamente 55 milhões de habitantes.
Conversamos diretamente com consumidores e observamos os produtos disponíveis nas gôndolas para garantir que o resultado refletisse a realidade do mercado atual.
Essa proximidade permitiu identificar que, embora o consumo de peixes seja sazonalmente alto na Páscoa, as preferências por tipos de corte e origem do produto apresentam padrões de estabilidade que podem ser explorados pelos produtores ao longo de todo o ano.
Preferências e exigências do consumidor moderno
Os dados coletados no primeiro semestre de 2025 traçam uma radiografia clara da demanda. O consumidor prioriza a confiança na origem e a praticidade no preparo. Itens como filés congelados e peixes limpos ganham espaço sobre o peixe inteiro, refletindo a falta de tempo das famílias urbanas.
A análise verificou como a oferta se comporta em relação ao preço e à apresentação dos produtos. Para o setor de piscicultura, esses indicadores servem para ajustar embalagens e estratégias de logística, garantindo que o peixe chegue ao ponto de venda com o frescor exigido pelo público exigente.
Integração com o setor produtivo e sustentabilidade
Um ponto alto do projeto foi a colaboração direta de associações como a Peixe BR e diversas cooperativas. Esses agentes ajudaram a formular perguntas que resolvessem dores reais do mercado, unindo a produção acadêmica à necessidade prática das empresas.
O foco em uma cadeia produtiva sustentável também apareceu como um diferencial competitivo. A população busca alimentos mais saudáveis e processos que respeitem o meio ambiente, elevando o valor agregado do peixe nacional frente aos importados.
Impacto econômico e social na piscicultura
Os resultados oferecem subsídios para que pequenos e grandes produtores identifiquem nichos de mercado com potencial de crescimento. Ao alinhar a oferta com o que o cliente realmente deseja, o setor consegue comercializar volumes maiores e reduzir desperdícios na cadeia de distribuição.
A expectativa é que o consumo de peixes per capita aumente gradualmente no Brasil. Com o apoio financeiro da Fapesp e do CNPq, a iniciativa demonstrou que a ciência aplicada é a ferramenta mais eficaz para gerar desenvolvimento econômico e impacto social positivo em estados líderes na produção de pescado.
[1] https://abcdoabc.com.br/papa-leao-xiv-missa-pascoa-recado-portugues/
[2] https://www.agricultura.sp.gov.br/apta-regional