
Durante o verão, a conjuntivite [1]se torna ainda mais comum, exigindo cuidados redobrados. Olhos vermelhos, coceira, lacrimejamento, sensação de corpo estranho, ardência, fotofobia, visão embaçada e secreção que gruda nas pálpebras inchadas estão entre os principais sintomas dessa inflamação ocular externa, de acordo com o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, diretor executivo do Instituto Penido Burnier [2] de Campinas.
Dados da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo mostram aumento da conjuntivite em 2025: 50% na capital, 35% no estado e 27% em Campinas. Outros estados que registraram surtos foram Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
O que é conjuntivite
A conjuntivite é uma inflamação da conjuntiva, membrana transparente que reveste o globo ocular e parte interna das pálpebras. Quando inflamada, provoca inchaço nas pálpebras e dilatação dos vasos da esclera, deixando os olhos vermelhos. Se o tratamento é adiado, a córnea pode ser atingida, caracterizando ceratoconjuntivite. A ceratite, inflamação da córnea, é a quinta causa mais frequente de perda de visão no mundo, segundo a OMS, mostrando que a conjuntivite não é uma condição menor.
Tipos e causas
Tomaz Silva/Agência Brasil
Todos os tipos de conjuntivite podem ocorrer durante o ano, mas a viral e a bacteriana têm maior incidência no verão, devido a aglomerações em praias e piscinas. Irritação causada pelo sol, água do mar e ressecamento pela ação de ar-condicionado também aumentam a predisposição a infecções.
Conjuntivite viral: a mais frequente, causada principalmente pelo adenovírus, mas também por vírus do sarampo, herpes e coronavírus. A secreção é viscosa e transparente.
Conjuntivite bacteriana: caracteriza-se por secreção amarelada. Entre os principais agentes estão Staphylococcus aureus, Streptococcus pneumoniae e Haemophilus spp, podendo incluir clamídia.
Conjuntivite alérgica: causada por hipersensibilidade a poeira, pólen, pelos de animais ou associada a doenças alérgicas como rinite, asma ou atopia.
Conjuntivite tóxica: comum em mulheres, causada pelo contato da mucosa ocular com cosméticos ou maquiagem, incluindo filtro solar aplicado em excesso durante o verão.
Tratamento
Arquivo - Agência Brasil
O tratamento depende da causa, sendo fundamental o diagnóstico correto para evitar agravamento. Colírios lubrificantes e limpeza frequente das secreções com gaze embebida em água filtrada ou soro fisiológico são recomendados.
Para casos virais, corticoides podem ser indicados; se provocado pelo herpes, antivirais podem ser necessários.
Na conjuntivite bacteriana, o uso de antibióticos é essencial.
Para a conjuntivite alérgica, evita-se o contato com o alérgeno e podem ser prescritos anti-histamínicos ou corticoides tópicos.
Na conjuntivite tóxica, a recomendação é lavar os olhos abundantemente com água filtrada e buscar atendimento médico se os sintomas persistirem.
Prevenção
Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Entre as medidas preventivas destacadas por Queiroz Neto estão:
Lavar as mãos com frequência
Evitar tocar os olhos
Não compartilhar maquiagem, fronhas ou toalhas
Evitar contato físico intenso, como abraços e apertos de mão
Proteger os olhos do sol com chapéu e óculos escuros
Evitar exposição a agentes irritantes
Usar filtro solar com moderação na região periocular
Limpar objetos compartilhados com álcool gel
Seguindo essas orientações, é possível reduzir o risco de infecções e complicações durante os meses mais quentes, preservando a saúde ocular.
[1] https://abcdoabc.com.br/casos-de-conjuntivite-aumentam-no-verao-e-especialista-alerta-para-os-cuidados/
[2] https://penidoburnier.com.br/