Cisalhamento e instabilidade? Entenda fenômenos que potencializaram temporal na região de Campinas

Árvore atingiu portão de condomínio no Cambuí, em Campinas (SP). Lucas Neri O temporal que atingiu a região de Campinas (SP) e outras áreas do estado de São Paulo, nesta segunda-feira (22), foi resultado de uma combinação de elementos que criaram um ambiente propício para a formação de tempestades mais intensas e duradouras, segundo o meteorologista Bruno Bainy, do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri). Entre os fatores que favoreceram o cenário estão a umidade trazida da região amazônica, a instabilidade termodinâmica e o cisalhamento dos ventos - entenda os fenômenos abaixo. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Campinas no WhatsApp Outro elemento importante foi o alinhamento desses ventos, que contribuiu para a formação de linhas de instabilidade. “Quando essas linhas de instabilidade se formam, geralmente são tempestades isoladas que acabam se mesclando, por assim dizer, e aí caminham no formato de linha mesmo”, detalha o meteorologista. LEIA TAMBÉM Família fica presa em casa por 24 horas após árvore e poste caírem durante temporal em Campinas Falta de água, energia e atendimentos suspensos: veja transtornos causados por temporal na região Combinação de fatores Imagens de satélite mostram a formação e o deslocamento de duas linhas de instabilidade ao longo desta segunda, no estado de SP. Houve a formação e o deslocamento de duas linhas de instabilidade ao longo do dia - confira na animação a seguir. No início da animação, é possível observar uma primeira linha já posicionada próxima à divisa com o sul de Minas Gerais. “É uma linha um pouquinho menos intensa, menos severa”, explica Bruno. Com o passar das horas, uma nova linha de instabilidade se forma mais ao centro do estado e avança em direção ao leste. Essa segunda linha é mais intensa e bem organizada. O destaque nas imagens vai para os tons mais escuros — quase pretos — que aparecem no topo das nuvens. Animação demonstra formação e deslocamento de linhas de instabilidade ao longo desta segunda-feira (22). DSAT/CPTEC/INPE “As temperaturas no topo das nuvens, que é o que mostra essas imagens, estão em tons mais pretos, então temperaturas muito baixas, topos muito frios, ou seja, nuvens muito altas, com grande severidade”, detalha o meteorologista. Bruno também chama atenção para o aspecto visual das nuvens, que parecem estar “fervendo”. Esse comportamento indica uma atmosfera altamente instável, com forte movimentação vertical do ar — condição típica de tempestades mais severas. Outro ponto importante é o papel dos ventos. Segundo Bruno, o alinhamento desses ventos, principalmente no sentido oeste-leste, favoreceu a organização das tempestades. A instabilidade termodinâmica mede o quanto o ar consegue subir verticalmente; quanto maior a instabilidade, mais profundas são as nuvens. Reprodução Cepagri Para Bruno, o maior diferencial do temporal foi uma "combinação de parâmetros em níveis otimizados", ou seja, uma junção de fenômenos que intensificaram a tempestade e a tornaram generalizada. São eles: 🌫️ Umidade vinda da Amazônia Correntes de vento pré-frontais trouxeram umidade da região amazônica, alimentando a formação de nuvens carregadas. 🌡️ Instabilidade termodinâmica Esse fator mede o quanto o ar consegue subir verticalmente. Quanto maior a instabilidade, mais profundas são as nuvens — e mais intensa a tempestade. 💨 Cisalhamento dos ventos É a variação na direção e velocidade dos ventos em diferentes altitudes. Esse fenômeno ajuda as tempestades a se organizarem melhor e durarem mais tempo. - Tempestades rápidas e isoladas, como as de verão, ocorrem em ambientes com pouco cisalhamento. 🧭 Ventos alinhados de oeste para leste Nos primeiros quilômetros de altitude, os ventos estavam bem direcionados, o que favoreceu a formação de linhas de instabilidade — conjuntos de tempestades que se deslocam em sequência. 🌪️ Linhas de instabilidade e vendavais Essas linhas estão associadas a ventos fortes e destrutivos. Quando apresentam curvaturas (como uma “barriguinha”), indicam áreas com potencial ainda maior de vendaval. A tempestade que atingiu a região de Campinas, na tarde desta segunda-feira, causou quedas de árvores e alagamentos e impactou serviços de saúde, água e energia. Após cinco meses de seca, Campinas registrou o maior volume diário acumulado de chuva desde abril de 2025. Moradores de Campinas amanhecem sem energia e com árvore na porta de casa devido à chuva VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas
