BRT-ABC enfrenta atrasos e governo ameaça romper contrato

17/03/2026 - 16:50  
BRT-ABC enfrenta atrasos e governo ameaça romper contrato
BRT-ABC enfrenta atrasos e governo ameaça romper contrato O governador paulista indicou a possibilidade concreta de romper o acordo do BRT-ABC. Tarcísio de Freitas (Republicanos) cobrou publicamente a concessionária Next Mobilidade pelo ritmo lento das obras do corredor de ônibus elétricos. O projeto metropolitano do BRT-ABC [1] deveria ligar São Bernardo do Campo à capital paulista ainda em 2023, mas sofre com sucessivas postergações de cronograma. Atrasos e risco de caducidade no BRT-ABC Reprodução O governo estadual mudou a postura frente à concessionária. A Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp [2]) assumiu a fiscalização do contrato no início de 2025 e já iniciou a aplicação de penalidades. A decretação de caducidade surge como a principal ferramenta jurídica do Estado para encerrar o vínculo com a empresa de forma unilateral. Em nota a Artesp foi categórica sobre as falhas contratuais do BRT-ABC e as punições: "A ARTESP acompanha e fiscaliza a execução das obras desde o início de 2025. A Agência identificou atrasos na execução das obras e dos investimentos previstos e já iniciou as providências cabíveis, que incluem notificações, aplicação de penalidades e outras medidas previstas em contrato." O governador endossou a insatisfação governamental. "A gente deve tomar medidas mais firmes. A gente tem um acordo que não está sendo honrado, não está sendo cumprido", afirmou o governador Tarcísio de Freitas. Status da obra e exigência de investimentos Divulgação/Next Mobilidade A construtora sustenta que o avanço físico do canteiro de obras atingiu 58%. O empreendimento de 17,3 km exige um aporte financeiro robusto da iniciativa privada, estimado entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,5 bilhão. Ligação expressa entre o centro de São Bernardo e a capital. Paradas estruturadas nos terminais integrados Tamanduateí e Sacomã. Operação prevista com uma frota de 82 ônibus elétricos articulados. Histórico de mudanças no transporte do Grande ABC O imbróglio de engenharia na região metropolitana completou uma década. A gestão de Geraldo Alckmin aprovou a construção da Linha 18-Bronze em 2014, um projeto de monotrilho avaliado em R$ 4,2 bilhões. João Doria assumiu o Palácio dos Bandeirantes anos depois e cancelou a ferrovia. O ex-governador alegou inviabilidade financeira, substituiu os trilhos pela proposta do BRT-ABC, firmando o contrato pelo modelo atual em 2022. Divulgação/GESP Essa troca de modalidade gerou custos pesados ao erário público. O Estado precisou indenizar a antiga concessionária do monotrilho em R$ 335 milhões. A atual administração estadual concordou com o pagamento milionário para encerrar o litígio judicial travado com o consórcio anterior. Promessas de operação do novo sistema O formato atual foca na velocidade de deslocamento diário. A infraestrutura do corredor prevê a instalação de semáforos inteligentes e faixas de ultrapassagem para garantir a agilidade das viagens. Serviço expresso: 40 minutos de trajeto ponta a ponta. Serviço semi-expresso: 43 minutos de viagem média. Serviço parador: 52 minutos com embarque em todas as estações. A equipe de reportagem do ABCdoABC procurou o Governo do Estado de São Paulo e a empresa Next Mobilidade para buscar posicionamentos oficiais sobre o futuro do BRT-ABC. Nenhuma das partes enviou respostas até a publicação deste conteúdo. [1] https://abcdoabc.com.br/brt-abc-inicia-testes-com-onibus-eletricos/ [2] https://www.google.com/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=&cad=rja&uact=8&ved=2ahUKEwjX4NfzyKeTAxVjDrkGHdjbAzsQFnoECBYQAQ&url=https%3A%2F%2Fwww.artesp.sp.gov.br%2Fartesp&usg=AOvVaw3X654gZ8wWfgwPRIdjlrfX&opi=89978449