Brasil brilha nos Encontros de Arles com Exposições do Instituto Moreira Salles

Brasil brilha nos Encontros de Arles com Exposições do Instituto Moreira Salles
Brasil brilha nos Encontros de Arles com Exposições do Instituto Moreira Salles Os Encontros de Arles [1], um dos eventos mais prestigiados para profissionais e entusiastas da fotografia, ocorrem anualmente no sul da França e este ano o Brasil se destaca com a participação do Instituto Moreira Salles (IMS) [2], que apresenta duas exposições significativas: "Novos Ancestrais" e "No Lugar do Outro". Patrícia Moribe, enviada especial da RFI ao evento, relata que a exposição "Novos Ancestrais" é uma coletânea que destaca uma nova geração de artistas brasileiros que utilizam diversas tecnologias — incluindo fotografia, vídeo, inteligência artificial e colagem — para criar suas obras. Thyago Nogueira, editor da revista Zum e coordenador de arte contemporânea do IMS, enfatiza que o intuito desta mostra é reinterpretar a história do Brasil à luz da contemporaneidade. Segundo Nogueira, a exposição busca desestabilizar as narrativas tradicionais sobre o país. "Artistas envolvidos nesse projeto desafiam os relatos históricos vigentes, utilizando arquivos visuais para preencher lacunas e abordar apagamentos e violências que marcaram a trajetória brasileira. Ao mesmo tempo, eles exploram imagens como ferramentas de solidariedade e comunhão entre diferentes tradições e ancestralidades", afirma. A mostra também se propõe a refletir sobre a violência histórica enfrentada por comunidades afro-brasileiras, indígenas e LGBTQIA+, questionando estereótipos e desafiando a história oficial. Artistas como Denilson Baniwa, Ventura Profana, Gê Viana, Mayara Ferrão, Yhuri Cruz e Igi Lọlá Ayedun utilizam colagens e inteligência artificial para reformular arquivos visuais e criar novas representações de beleza, afeto e espiritualidade. O coletivo Lakapoy e o artista Lincoln Péricles trazem à tona narrativas oficiais por meio de arquivos fotográficos das próprias comunidades que representam. Enquanto isso, Glicéria Tupinambá discute a expropriação colonial e a necessidade de restituição de objetos sagrados. A mostra também investiga o corpo como um arquivo vivo e uma ferramenta de denúncia contra preconceitos por meio das obras de Rafa Bqueer, Castiel Vitorino Brasileiro, Melissa Oliveira e Paulo Nazareth. Nogueira observa que "esta exposição não vê o passado como um espaço nostálgico ou imutável; em vez disso, ele é considerado um campo que precisa ser reativado e discutido para iluminar nosso presente e imaginar um futuro diferente do que parece estar reservado para nós". Além disso, em paralelo à primeira exposição, o IMS apresenta "Cláudia Andujar - À la place des autres (No lugar do outro)", que foca na fase inicial da carreira da renomada fotógrafa Cláudia Andujar antes de seu comprometimento com a causa do povo Yanomami. Esta exposição é fruto de dois anos de pesquisa nos arquivos pessoais da artista. Cláudia Andujar, uma sobrevivente do Holocausto que chegou ao Brasil em 1955, iniciou sua trajetória fotográfica capturando imagens do país e desenvolvendo sua visão sobre como a fotografia pode contribuir para uma sociedade mais justa. A mostra inclui suas primeiras séries fotográficas como "Famílias brasileiras" (1962-1964), seu trabalho editorial na revista Realidade (1966-1971), reflexões sobre feminilidade em "A Sônia" (1971), fotografia de rua em "Rua Direita" (cerca de 1970) e suas primeiras expedições à Amazônia (1970-1972). [1] https://en.wikipedia.org/wiki/Rencontres_d%27Arles [2] https://abcdoabc.com.br/adolescentes-da-fundacao-casa-participam-de-sessao-de-cinema-no-instituto-moreira-salles/