
O Botafogo [1] decidiu jogar duro contra os calotes internos da Eagle Football. A SAF alvinegra protocolou duas ações na Justiça do Rio de Janeiro exigindo o pagamento de R$ 745 milhões do Lyon. O valor astronômico expõe a fratura no sistema de caixa único idealizado por John Textor.
Botafogo exige execução imediata da dívida
A primeira ação judicial funciona como um título de execução extrajudicial. O mecanismo legal permite à equipe carioca exigir a quitação de 21 milhões de euros (cerca de R$ 125 milhões) em um prazo curtíssimo de três dias.
A diretoria cansou de esperar uma solução amigável. Os advogados partiram para o ataque nos tribunais baseados em contratos assinados no início do ano passado.
Transferências vultuosas e quebra de acordo
O segundo processo detalha o rombo nas contas. A defesa cita 11 transferências que resultaram nos seguintes prejuízos operacionais:
R$ 573 milhões repassados em diversas remessas entre março de 2024 e fevereiro de 2025.
R$ 125 milhões em empréstimos de curto prazo sob risco de execução imediata.
R$ 45 milhões referentes a juros não quitados de uma operação junto ao Banco XP.
O Lyon recebeu o dinheiro de braços abertos. A equipe europeia rompeu o acordo de cash pooling (caixa único) logo após a eclosão do conflito societário interno, ignorando os repasses.
"Embora tenha sido manifestamente beneficiado com os recursos disponibilizados e emprestados pela SAF, o Lyon optou por não honrar com os pagamentos de quase a totalidade dos valores."
Para socorrer os franceses, a instituição brasileira assumiu riscos altíssimos no mercado financeiro. A gestão emitiu uma Cédula de Crédito Bancário (CCB) de R$ 323 milhões. O Lyon prometeu arcar com os juros, mas a promessa ficou apenas no papel, forçando a intervenção jurídica no Rio de Janeiro — foro aceito pelos franceses na assinatura dos contratos.
Nota oficial expõe crise no grupo multiclubes
A falta de pagamento gerou consequências graves, incluindo um recente transfer ban da FIFA que travou o planejamento esportivo da temporada.
Abaixo, leia o posicionamento do Botafogo [2] na íntegra:
"O Botafogo entrou com ações judiciais nesta sexta-feira (3) contra o Olympique Lyonnais devido a dívidas que ultrapassam R$ 745 milhões. O objetivo é garantir a recuperação dos valores devidos — fundamentais para fortalecer o projeto esportivo do clube — e salvaguardar os ativos do Clube.
Como é de conhecimento público desde a constituição da SAF em 2022, o Botafogo passou a fazer parte do Eagle Group, uma rede multiclubes liderada por John Textor. Como estratégia competitiva, foi adotado por todos os clubes do Eagle Football um modelo colaborativo de gestão de caixa e recrutamento de jogadores, o que levou a conquistas históricas para o Botafogo, como a CONMEBOL Libertadores e o Campeonato Brasileiro de 2024. Para o Olympique Lyonnais, essa colaboração também teve impacto histórico no primeiro ano de gestão direta do Sr. Textor, tirando o clube de um rebaixamento praticamente certo para a classificação à Liga Europa, após apenas uma janela de transferências.
O Eagle Football adquiriu um Olympique Lyonnais insolvente no final de 2022, com todos os principais bancos exigindo o pagamento da dívida sênior do clube e com a DNCG ameaçando impor sanções severas já no primeiro dia da aquisição pelo Eagle.
Nesse contexto, o Botafogo fez sucessivas contribuições financeiras que totalizaram mais de R$ 745 milhões, estruturadas como empréstimos, com a clara expectativa de reembolso sob condições de compartilhamento de caixa previamente acordadas.
Posteriormente, em meio a conflitos internos entre os acionistas do Eagle Group, o novo presidente do Olympique Lyonnais rescindiu unilateralmente o acordo de colaboração. Apesar de ter se beneficiado dos recursos recebidos, o clube francês não cumpriu suas obrigações e se recusou a pagar a dívida aos clubes parceiros do Eagle: R$ 745 milhões devidos ao Botafogo e mais de € 12 milhões devidos ao RWD Brussels. Esse inadimplemento teve impactos diretos nas operações do Botafogo, comprometendo o planejamento financeiro e afetando sua capacidade de renovar contratos e contratar jogadores. Como consequência, o Clube chegou a sofrer um transfer ban imposto pela FIFA no final de 2025.
A partir deste momento, o Botafogo está tomando medidas irreversíveis: a SAF adotará todas as medidas legais cabíveis para recuperar integralmente os valores devidos pelo Olympique Lyonnais e para garantir a continuidade e solidez de seu projeto esportivo."
[1] https://abcdoabc.com.br/sao-paulo-pode-reembolsar/
[2] https://www.google.com/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=&cad=rja&uact=8&ved=2ahUKEwjX1aK-rdSTAxXqlZUCHb69NQ8QFnoECFMQAQ&url=https%3A%2F%2Fwww.botafogo.com.br%2F&usg=AOvVaw1ivxnaJ8xiecV7d-8c2vV8&opi=89978449