Aneel decide abrir processo para o fim da concessão da Enel em SP

08/04/2026 - 07:40  
Aneel decide abrir processo para o fim da concessão da Enel em SP
Aneel decide abrir processo para o fim da concessão da Enel em SP A diretoria colegiada da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel [1]) votou de forma unânime para avançar com o processo administrativo que pode extinguir a concessão da Enel no estado de São Paulo. Os cinco diretores aprovaram a instauração do procedimento de caducidade durante reunião nesta terça-feira (7). O termo jurídico técnico indica o movimento para o fim antecipado do contrato de distribuição de energia. Próximos passos para a concessão da Enel A Enel recebeu o prazo de 30 dias para protocolar sua defesa oficial. A agência reguladora avaliará detalhadamente os argumentos apresentados pela companhia logo após o encerramento desse período. Caso os técnicos julguem as justificativas insuficientes, a Aneel recomendará a rescisão contratual diretamente ao Ministério de Minas e Energia (MME [2]). O governo federal detém a palavra final sobre o futuro da operação no estado. Uma eventual extinção do contrato obriga a União a assumir temporariamente o fornecimento elétrico na região metropolitana até a contratação de uma nova empresa via licitação. Outro caminho viável no mercado envolve a transferência do controle societário atual para um novo grupo investidor interessado nos ativos. Histórico de falhas operacionais A pressão pública sobre a distribuidora aumentou substancialmente após quatro grandes apagões atingirem a capital paulista nos últimos anos. O evento climático mais recente ocorreu em dezembro e deixou cerca de 4,4 milhões de clientes no escuro prolongado. A equipe de fiscalização da agência iniciou uma devassa técnica no começo de 2024. A avaliação oficial aponta que a companhia falhou gravemente em regularizar a prestação do serviço. O diretor Gentil Nogueira usou mais de uma hora em seu voto para demonstrar o desempenho inferior da empresa na recomposição da rede elétrica frente a outras operadoras do país. Defesa tenta proteger a concessão da Enel Os advogados da companhia atuam para barrar o avanço do julgamento e garantir a manutenção do serviço. Marçal Justen Filho, representante legal da empresa, questionou duramente a inclusão do apagão de dezembro de 2025 no escopo da atual investigação. "A companhia cumpriu todas as exigências regulatórias e não teve o devido direito de defesa garantido durante a análise do último apagão." Uma liminar da Justiça Federal chegou a paralisar o andamento do processo no mês anterior. A mesma juíza reverteu a própria decisão dias depois, validando a condução administrativa e confirmando o respeito ao contraditório legal. Posicionamento corporativo A direção da companhia divulgou nota para destacar pontos cruciais sobre sua operação técnica e jurídica: O procedimento atual da agência apenas avalia o tema e não crava a caducidade imediata do contrato. A empresa garante cumprir integralmente os indicadores previstos no plano de recuperação apresentado em 2024. Qualquer definição punitiva exige critérios técnicos claros, prévios e imparciais para proteger a segurança jurídica. O mercado de energia brasileiro aguarda o desfecho desse embate com extrema cautela. A perda do contrato formaria um precedente regulatório histórico no país. O alto escalão do governo avaliará o rigor técnico do processo antes de assinar qualquer documento que encerre definitivamente a concessão da Enel. [1] https://abcdoabc.com.br/conta-de-luz-deve-subir-8-em-2026-aneel/ [2] https://www.google.com/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=&cad=rja&uact=8&ved=2ahUKEwjtubmyhd6TAxURJrkGHZqNHdUQFnoECAwQAQ&url=https%3A%2F%2Fwww.gov.br%2Fmme%2Fpt-br&usg=AOvVaw1CMiwxxbv22urX5AVapnOG&opi=89978449